História da Arte

Expressionismo Alemão

O Expressionismo teve sua origem na Alemanha por volta de 1904 e 1905, mais especificamente na cidade de Dresden. O termo que dá nome ao movimento foi utilizado pela primeira vez em 1912 por Herwath Walden, dono de uma revista de arte alemã chamada de Der Sturm (A Tempestade). Walden usou a palavra “Expressionista” para descrever dois grupos de artistas, o Die Brücke (A Ponte) e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), que estavam se desenvolvendo e promoviam uma visão de arte atrelada ao estado do espírito do artista.

Preocupação Emocional: Esse novo estilo se contrapôs diretamente ao ideal Impressionista de retratar sensações meramente físicas, ignorando todo o caráter emocional da arte, sem se importar com os problemas que o homem passou a enfrentar após a Segunda Revolução Industrial. A mecanização do trabalho afastava o homem de seu subjetivo e de suas crenças mais primitivas, o que ocasionava em uma civilização mais insensível e apática aos problemas alheios.

01 - KIRCHNER, Ernest Ludwig. O Banho dos Soldados, 1915.
KIRCHNER, Ernest Ludwig. O Banho dos Soldados, 1915.

Temáticas: Os Expressionistas queriam dar ênfase a essa problemática moderna, discutir o psicológico e a mentalidade do homem, traduzir e trabalhar a angústia e os extremos emocionais que envolvem a raça humana. Tinham preferência por temas que abordassem a purgação da sociedade, como cenas de desastres naturais ou bíblicos.

Arte Crítica da Realidade: Muitos dos artistas desse período desejavam se desligada sociedade burguesa da qual tinham vindo, pois acreditavam que ela sofria de uma falência de sentimentos e precisava ser purificada urgentemente. Os Expressionistas também acreditavam que se o mal existisse no mundo era papel do artista retratá-lo.

Nazismo e Perseguição: Quando o partido nazista chegou ao poder em 1933, uma de suas primeiras medidas foi suprimir a arte expressionista considerada imoral e degenerada, o que ocasionou uma série de fugas de artistas, principalmente para a América, onde eles vieram a influenciar toda uma nova geração de artistas dos Estados Unidos. Isto fica fácil de compreender uma vez que o Expressionismo criticava a realidade na qual o nazismo se instalou e cresceu.

Influências Anteriores: O movimento expressionista se mostra como uma continuidade dos estudos de diversos artistas do final do século XIX, principalmente aos ligados com o Pós-Impressionismo e alguns Simbolistas. O jeito como esses artistas deformavam a realidade e inseriam uma interpretação expressiva para a cor em suas obras era um dos pontos principais que o Expressionismo buscava entender e explorar. As principais influências são os artistas Van Gogh e Paul Gauguin.

Precursor Alemão: Edvard Munch foi um dos precursores do estilo na Alemanha. Sua pesquisa pictórica era intensamente ligada ao trabalho de Gauguin e Van Gogh, essas influências são perceptíveis em suas obras, nas quais o que impera é manifestação expressiva do artista. Suas figuras são desfiguradas propositalmente para dar evidência aos sentimentos que a obra deseja transmitir. É considerado um dos pioneiros do Expressionismo Alemão através da obra O Grito, de 1893, anos antes do Expressionismo se organizar enquanto corrente artística.

02 - MUNCH, Edvard. O Grito, 1893.
MUNCH, Edvard. O Grito, 1893.

O Grito: Nessa obra, o artista retira o foco da figura e cria todo um espaço pictórico que remete ao estado psicológico e emocional da figura representada. Toda a composição do quadro O Grito guia o espectador por uma série de linhas com um colorido perturbador: o ponto principal da imagem é um homem com o rosto completamente deformado por um grito surdo e angustiante.

O Grito
Releitura digital da obra “O Grito”.

James Ensor: Outro artista que agregou valores aos trabalhos expressionistas foi James Ensor. Suas obras eram simbólicas e permeadas de interpretações subjetivas. O estranhamento trazido por suas figuras levou Ensor a expor suas obras apenas em salões alternativos, pois os meios tradicionais consideravam sua obra muito forte e impactante. Além de influenciar os expressionistas por meio de sua simbologia, Ensor também se tornou um agente na fundação do Surrealismo, movimento de vanguarda que se apoiava na interpretação do subconsciente humano de maneira simbólica.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Die Brücke (A Ponte)

Em 1904 os artistas Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff fundaram o Die Brücke em Dresden. O grupo assumiu o nome em sugestão feita por Schmidt-Rottluff, a partir da obra de Nietzsche.

Arte e Filosofia: A obra do filósofo Friedrich Nietzsche teve impacto no pensamento dos artistas e a forma pela qual a Die Brücke queria criar arte. O próprio nome do grupo segue a ideia de Nietzsche de que a vida para a humanidade não é um fim em si mesma, mas sim uma ponte para um futuro melhor.

Objetivo: O grupo se voltava contra os ideais clássicos, com a intenção de retornar à natureza e ao primitivo, se afastando da sociedade tradicional, partindo para um mundo mais profundo que o próprio Nietzsche descreveu como “abundante em beleza, estranheza, dúvida, horror e divindade”.

Diálogo com a Arte Africana: Schmidt-Rottluff trouxe para o grupo pesquisas sobre a arte africana e sobre o uso expressivo da xilogravura, valendo-se do poder que as imagens em preto e branco possuem e da emoção que o talho em madeira pode transmitir.

Trabalho em Equipe: A Ponte trabalhava sempre em conjunto, por muitas vezes os membros faziam versões dos trabalhos dos colegas, expandindo o caráter colaborativo e reforçando a sinergia que os guiava.

Estilo Próprio: Apesar de seus trabalhos nos primeiros anos mostrarem claramente a influência de Van Gogh e outros Pós-Impressionistas, a partir de 1908, os expressionistas da Ponte passam a assumir um estilo próprio e distinto. As cores de suas paletas se tornaram mais vivas, as pinceladas se tornaram rápidas, quase que explosivas, camadas de tinta grossas e efeitos trêmulos acentuavam a carga dramática.

Mudança e Dissolução: Acreditando que seria bom para o grupo trabalhar na capital Berlim, os membros começaram a se mudar em 1908, até que todos o fizeram em 1911. No novo meio os artistas da Ponte passaram a se dedicar cada vez mais em projetos individuais até que o grupo se desfez em 1913.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul)

Em paralelo ao desenvolvimento da Ponte, mais ao sul da Alemanha, um grupo de artistas começou a se reunir em torno do pintor russo Wassily Kandinsky, que tinha uma visão muito mais espiritualizada sobre o papel do artista e da própria arte. Em 1930, Kandinsky relatou na revista alemã Kunstblatt o porquê do nome do extinto grupo: “O nome, nós o achamos quando estávamos sentados numa mesa de um café de Sindelsdorf; ambos amávamos o azul, Marc, os cavalos e eu, os cavaleiros. Assim o nome veio por si”.

Formação do Grupo: Entre os principais artistas que se integraram às ideias de Kandinsky, estavam Franz Marc e Alexei Von Jawlensk. Esses artistas trabalharam juntos e montaram, em 1911, de maneira colaborativa, o almanaque Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul, em português), e duas exposições itinerantes dele que aconteceram em 1912. O lançamento do almanaque marcou o início das atividades do Cavaleiro Azul, que tinha o objetivo de realizar mais ações, não apenas em âmbito editorial.

Objetivo: A proposta do almanaque O Cavaleiro Azul consoava com a crença de Kandinsky de que a arte se faz a partir da prática e do ensino. O movimento era baseado nas ideias expressionistas e juntava as visões místicas sobre a arte de Kandinsky e Marc, – para eles, cabia ao artista revelar a verdade espiritual existente no mundo.

História da Arte?: O objetivo do almanaque era oferecer um estudo aprofundado da arte ao longo dos tempos, destacando a importância da arte primitiva, e permitir que o público tivesse acesso a outras manifestações artísticas vistas historicamente como irrelevantes.

18 - Der Blaue Reiter.
Foto do Almanaque O Cavaleiro Azul.

O almanaque Cavaleiro Azul funcionava como uma retrospectiva, apontando trabalhos de artistas de diversas linguagens, como a pintura, escultura e música, que fossem contemporâneos, antigos, primitivos e até mesmo arte produzida por crianças e pessoas com deficiência mental.

Fim e Legado: O Cavaleiro Azul marcou o apogeu do Expressionismo e apesar do grupo ter acabado com o estouro da Primeira Guerra Mundial, a arte expressionista propagada pelo grupo invadiu a fragilizada Alemanha pós-Guerra.

O Cinema Expressionista

A Função Social do Cinema: Os alemães começaram a entender a fundo o potencial das narrativas cinematográficas e o alcance que elas poderiam ter com o público. Apesar do desenvolvimento acelerado do cinema nos EUA, foram eles que começaram a se aproveitar do potencial artístico que a película oferecia.

Tempos de Crise, Tempos de Crítica: Com o fim da Primeira Guerra (1918), muitos países europeus se viram extremamente abalados. Entre os mais fragilizados, estava a Alemanha, que já convivia com o movimento expressionista nas artes plásticas, levado aos cinemas devido aos esforços de uma série de cineastas durante a década de 20.

Principais Características do Expressionismo no Cinema:

  1. A utilização de elementos distorcidos e angulosos, similares aos que existiam nas pinturas expressionistas, nos cenários e figurinos dos filmes.
  2. Alto contraste na fotografa (elementos muito claros ao lado de elementos muito escuros).
  3. Maquiagem usada de maneira expressiva, para deixar as expressões faciais mais evidentes.
  4. Cenários com perspectivas fantasiosas ou sem perspectiva.
  5. Enredos de suspense, cenas tensas e com finais surpreendentes.
  6. Enredos com metáforas: os filmes discutem de maneira simbólica o mundo no começo do século XX, principalmente a posição da Alemanha naquele tempo.

Pioneirismo: Em 1920, Robert Wiene levou o Expressionismo para as telas do cinema com o filme O Gabinete do Doutor Caligari. A película apresentava altos contrastes entre o claro e o escuro, cenários teatrais pintados em linhas e ângulos oblíquos e sem perspectiva, que se assemelhavam muito com o que era explorado na pintura. O roteiro foi escrito por Carl Mayer e Hans Janowitz, e foi concebido como uma metáfora para o mundo louco e hipócrita da Primeira Guerra Mundial: Caligari representa um governo que hipnotiza seu povo, levando-o, sonâmbulo, para a guerra.

Impacto: O gabinete do doutor Caligari foi um marco para o cinema e apresentado como o primeiro exemplo de filme expressionista, estendendo suas influências para filmes rodados em locações (lugares reais) e para sets de filmagens elaborados.

Principais Expoentes: Dentre os principais nomes do Expressionismo Alemão no cinema podemos destacar além do próprio Robert Wiene, Friedrich Wilhelm Murnau, Paul Wegener e um dos maiores expoentes, Fritz Lang.

Robert Wiene: O Gabinete do Doutor Caligari, 1920.

 

Friedrich W. Murnau: Nosferatu, 1922.

 

Paul Wegener: O Golem, 1920.

 

Fritz Lang: Metropolis, 1927.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s