História da Arte

Fotografia

Fotografia é essencialmente a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando-as em uma superfície sensível. De acordo com Roland Barthes, muitos não a consideram arte, por ser facilmente produzida e reproduzida, mas a sua verdadeira alma está em interpretar a realidade, não apenas copiá-la. Nela há uma série de símbolos organizados pelo artista e o receptor os interpreta e os completa com mais símbolos de seu repertório. Fazer fotografia não é apenas apertar o disparador. Tem de haver sensibilidade, registrando um momento único, singular. O fotógrafo recria o mundo externo através da realidade estética.

Os Primórdios da Luz e Sombra

Aristóteles e a Câmara Escura: No século IV a.C. o filósofo grego Aristóteles criou a câmera escura. A câmera de Aristóteles era uma máquina extremamente simples que consistia em uma caixa com um único orifício que recolhia luz, que apenas refletia o mundo, mas não o registrava como faz a fotografia.

Funcionamento: Aristóteles observou que a imagem que se formava no interior da caixa através da luz recolhida pelo orifício era exatamente igual à do seu exterior, porém sempre aparecia invertida, ou seja, o que era para cima fiava para baixo e o que era esquerda virava direita e vice-versa. Esse dispositivo é semelhante ao olho humano, só que nosso cérebro adapta automaticamente a receptividade da luz.

O Aperfeiçoamento da Câmara Escura

Aperfeiçoamento: Com o tempo, a câmera escura passou por aperfeiçoamentos, como a inserção de lentes que davam mais nitidez às imagens, mas ainda não se conhecia um método para registrar a luz captada pela câmera de maneira permanente.

Idade Média: Durante a Idade Média, ela foi amplamente usada como entretenimento, mas alguns astrônomos, principalmente os ligados ao império persa, passaram a usar a câmera escura como uma ferramenta para observar o sol e eventos que o envolvessem sem que precisassem olhar diretamente para o astro.

Renascimento: A partir do Renascimento, os artistas descobriram que poderiam usar a câmera escura para conseguir um retrato mais fiel da realidade. Eles passaram a desenhar as imagens que se projetavam no interior da câmera escura, essa técnica não era simples, pois exigia que o artista trabalhasse em um local fechado e muito escuro.

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Esquema teórico do funcionamento de uma câmara escura.
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Exemplo prático do funcionamento de uma câmara escura.

O Surgimento da Fotografia

Experimentação Científica: No final do século, XVIII e no início do XIX, muitos inventores começaram a experimentar diversas substâncias químicas fotossensíveis (que reagem à luz) junto com o aparato da câmera escura.

Pioneiro: Um dos mais importantes nessas pesquisas foi Nicéphore Niépce, que, após anos de estudos e tentativas, conseguiu em algum momento entre 1826 ou 1827 realizar o primeiro registro permanente da luz através de uma câmera escura, ou seja, ele produziu a primeira fotografia.

O Experimento de Nicéphore Niépce

Teste: O inventor francês colocou dentro da câmera escura uma placa de metal coberta com uma substância derivada do petróleo que tem a propriedade de se enrijecer ao entrar em contato com a luz.

Efeito: Quando Nicéphore abriu o orifício da câmera obscura, a luz que entrava por ele começou a fazer a substância reagir, marcando as partes mais luminosas da paisagem e gravando o desenho na placa de metal.

– Problemas: Imagem pouco detalhada, fotografia ainda era invertida e a câmera precisou ficar 8 horas no telhado absorvendo luz.

A Evolução Científica e Soluções

Novos Objetivos: A partir do avanço registrado Nicéphore, as pesquisas em torno da câmera fotográfica focaram no desenvolvimento de materiais que fossem mais sensíveis à luz e que marcassem as fotos em um tempo mais curto.

Avanços Conquistados: Em menos de dez anos da primeira fotografia, esse tempo foi reduzido para minutos e por volta de 1841 surgiram os primeiros processos fotográficos que permitiam a produção de cópias.

Solução para Inversão: Com as cópias fotográficas, as imagens eram “carimbadas” em folhas de papel molhado em substâncias químicas. Como as imagens fotográficas eram invertidas, o ato de carimbá-las fazia a imagem fiar do lado correto.

A Popularização da Fotografia

Kodak: No fim do século XIX, a câmera fotográfica já parecia bastante com a que existe hoje em dia, graças à empresa de George Eastman: A Kodak.

A Revelação: Eastman desenvolveu câmeras portáteis simples e pequenas que tinham no seu interior um rolo de resina transparente que armazenava as fotografias tiradas, depois que o rolo enchesse, o dono da câmera podia levá-la a um laboratório fotográfico de  revelação para passar as fotos do rolo para o papel.

  • Avanço Tecnológico: O desenvolvimento do rolo de filme foi essencial para o surgimento do Cinema e, portanto, o surgimento da Televisão.

Fotografia Colorida: Devido às dificuldades de se representar as cores com a fotografia, muitos fotógrafos preferiam pintar as fotografias manualmente com aquarelas. As cores só começaram a ser registradas nas fotografias de maneira eficiente em 1935, com o filme Kodakchrome.

A Fotografia Digital

Surgimento: Com o desenvolvimento dos computadores, as pesquisas sobre a imagem passaram a se voltar para a possibilidade do armazenamento digital.

Desenvolvimento: Os dispositivos pioneiros da Kodak surgiram a partir de 1969, mas só a partir da década de 1980 empresas começaram a investir mais abertamente nessa tecnologia.

Popularização: A fotografia digital se popularizou somente a partir dos anos 2000, juntamente com a popularização dos computadores caseiros e dos primeiros celulares com câmera. Hoje em dia, a câmera é um acessório indispensável aos aparelhos telefônicos.

O Funcionamento da Câmera Fotográfica

  1. Objetiva: É a lente que direciona os raios de luz para o interior da câmera fotográfica com nitidez. Toda imagem é formada por luz refletida, e o trabalho da lente objetiva é juntar esses reflexos de maneira  ordenada no fundo da câmera, onde fia o filme ou o sensor digital.
  2. Abertura: Também chamada de abertura do diafragma, é a parte da câmera que controla a quantidade de luz que se desloca para o seu interior. Quando muita luz entra, a fotografia pode fiar toda branca ou amarelada (efeito conhecido como “queimada”) e quando pouca luz entra, a fotografia fia escura e sem definição.
  3. Obturador: A função do obturador na câmera é proteger o filme ou o sensor digital da luz, ele se abre apenas por alguns instantes no momento em que a foto é tirada.
  4. Visor: O visor é a parte da câmera que permite a visualização do que a câmera está captando.

Os Tipos de Câmera Fotográfica:

Analógica: Responde aos estímulos físicos de luz diretamente. Nela a imagem é formada em uma fita de resina, chamada de filme fotográfico, que fica enrolada no interior do equipamento.

O Processo de Fotografar: Esse filme fica protegido pelo obturador e só é atingido pela luz durante uma fração de segundo no momento da fotografia. Nesse tipo de câmera, a luz incide diretamente no filme em que será registrada, marcando mecanicamente a sua passagem.

– Vantagem: Esse processo possibilita o registro de muitos detalhes e agrega à câmera analógica uma qualidade de imagem que ainda não é possível reproduzir com perfeição nos modelos digitais.

A Fotografia é uma Arte?

Problema da Originalidade: Diferentemente de uma pintura, a qual sua originalidade é única, pois é produto do trabalho do pintor, a fotografia pode ser copiada e recopiada indefinidamente. Lança-se o problema da originalidade característica da arte para a fotografia.

Rivalidade com a Pintura: Muitos pintores afirmavam que essa nova invenção significava o fim da pintura e, consequentemente, a “morte da arte”.

Amizade com a Pintura: Porém, a popularização da fotografia liberou os artistas para abordarem novas formas de expressarem-se nas pinturas que não a mera reprodução da realidade, abrindo margem para novos movimentos artísticos de vanguarda.

Impressão de Realidade: Invariavelmente, a fotografia, mais do que qualquer outra arte até então estabelecida durante seu surgimento e evolução, evocava uma densa e quase inquestionável sensação de que o visto na foto era a realidade tal qual se apresentou diante da câmera.

Photoshop: No entanto, inúmeras técnicas surgiram ao longo do tempo que permitiram a manipulação do conteúdo original da fotografia, como é o caso do software Photoshop. Mas se engana quem acha que a manipulação fotográfica é fruto de nosso século. Já no início do século XX fotografias eram manipuladas.

Composição Fotográfica

Composição: É a organização dos elementos que compõem qualquer obra de arte, é ter noção de organização e de distribuição de elementos. Quando todos os elementos estão organizados, a fotografia é chamada de harmônica.

Ângulo: O ângulo indica o posicionamento da câmera na hora de tirar a foto. O ângulo é medido sempre em referência ao objeto que está sendo fotografado.

Possibilidades: Cada ângulo pode trazer novas possibilidades à fotografia, ressaltando objetos ou partes do corpo (no caso de retratos).

– Exemplos: Uma fotografia tirada de baixo para cima irá criar a ilusão de que o objeto retratado é muito maior do que ele realmente é, assim como de cima para baixo o ângulo sinaliza rebaixamento do objeto.

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Cena retirada do filme “Harry Potter e a Ordem da Fênix” com angulação de cima para baixo, indicando assim a pequeneza e o amedrontamento de Harry diante o perigo.
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Cena retirada do filme “Bastardos Inglórios” com a angulação de baixo para cima, indicando assim notória superioridade dos personagens.

Enquadramento: Enquadrar uma fotografia é escolher quais elementos irão aparecer por completo em sua foto e quais ficarão de fora.

Enquadrar é Escolher: Os enquadramentos são chamados de planos e eles podem ser bem abertos, ou seja, mostrar uma paisagem, coisas muito grandes, ou podem ser mais fechados, retratando uma parte do corpo ou um inseto.

Aprimoramento: Um bom enquadramento segue a Regra do Terço. Essa regra divide a fotografia em três partes iguais na horizontal e três na vertical, essas linhas-guia irão ajudar na hora mostrar um objeto, deixando a fotografia mais organizada e harmônica.

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Exemplo teórico da divisão em terços horizontais e verticais.
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Exemplo prático da aplicação da Regra dos Terços.

Iluminação: Sem luz não há fotografia. Porém, existem formas de controlar a luminosidade para aprimorar a qualidade da foto.

Princípio: Entender como a luz atinge um objeto e como esse objeto refelte essa luz ajuda muito na hora de tirar uma fotografia. A luz mais intensa, como, por exemplo, a do sol atingindo diretamente o objeto retratado, irá criar áreas muito claras e outras muito escuras.

– Diferenças Cromáticas: As cores das luzes também podem alterar o resultado final da fotografia, pois elas irão se misturar com as outras cores do ambiente.

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Exemplo de fotografia com baixa iluminação controlada. É possível, mesmo com luminosidade baixa, ver todos os elementos presentes na cena.
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Exemplo de fotografia com iluminação não controlada. O objeto fotografado está contra a luz e, portanto, não é capaz de refletir luminosidade e aparecer na fotografia.
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Exemplo de Fotografia com intensa luminosidade controlada.
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Fotografia das chamadas Darkrooms, onde normalmente fotografias são reveladas e impressas do filme ao papel. A luminosidade precisa ser densamente baixa, caso contrário o processo fotoquímico é prejudicado e a foto danificada.

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