História Geral

A Segunda Guerra Mundial – Antecedentes e Estopim

A Inglaterra e a França adotaram uma posição que buscava evitar um novo conflito, a chamada “Política de Apaziguamento”. Questionavam as ações de Hitler, mas sem intervenções militares. Acreditavam que, assim, controlariam o líder nazista e evitariam a expansão do comunismo soviético pela Europa, já que o Nazismo era contrário ao Socialismo.

Os Antecedentes da Segunda Guerra Mundial

Desobediência de Versalhes: Para alcançar tais objetivos, o Füher (Hitler) desobedeceu a várias imposições do Tratado de Versalhes. Entre elas, destacam-se:

  1. Remilitarização do país.
  2. Ocupação militar na região da Renânia, França.
  3. União com a Áustria.
  4. Ocupação de regiões da Tchecoslováquia.

Conferência de Munique (1938): Temendo um novo conflito, a Inglaterra interveio na questão, solicitando uma negociação entre a Tchecoslováquia e a Alemanha. Ficou estabelecido que a ocupação de parte da Tchecoslováquia era o último território que os alemães poderiam ocupar.

Aliança Germano-Soviética (1939): Em agosto, as duas nações assinaram secretamente o pacto de não-agressão entre os dois países, conhecido como Pacto Ribbentrop-Molotov. Assim, evitariam um conflito direto e dividiram as terras da Polônia.

– Coquetel Molotov: Em 1939 durante a invasão da Finlândia pela URSS, o ministro soviético Molotov afirmou em um programa de rádio que não estavam jogando bombas sobre os finlandeses e sim fornecendo-lhes alimento. O que ocorria de fato eram bombardeios aéreos, que ganharam o nome de “cesto de pães Molotov” pelos finlandeses. Em resposta, a resistência finlandesa passou a chamar suas bombas artesanais de “Coquetéis Molotov”.

Falência Múltipla dos Órgãos: O Tratado de Versalhes era desrespeitado a todo momento pela Alemanha. A Inglaterra e a França passavam por cima disso para atender os interesses dos alemães e dessa forma evitar um conflito. Além disso, a Liga das Nações não cumpria seu papel, pois inúmeros conflitos aconteceram, como a ocupação italiana na Etiópia ou a invasão japonesa na Manchúria. Mesmo tomando medidas e sanções, a Liga das Nações foi ineficaz.

– Incômodo aos EUA: É importante destacar que a ação imperialista do Japão na Ásia incomodou os norte-americanos, que tinham interesse nos mercados consumidores dessa região. Além disso, com as anexações, o Japão se consolidava como potência no Pacífico.

A Cobiça de Hitler: Hitler ainda não estava satisfeito: desejava o “corredor polonês”, região criada após a Primeira Guerra que dividia em duas a região da Alemanha e dava à Polônia acesso ao mar.

Estopim da Guerra: No dia primeiro de setembro de 1939, Hitler ordenou a invasão à Polônia. Ingleses e franceses não toleraram mais esta anexação e declararam guerra à Alemanha. Era o início da Segunda Guerra Mundial.

Início do Conflito: Alianças e Expansionismo

a) Eixo Roma-Berlim: Tratados de amizade entre Alemanha e Itália, assinados em 1936 e que depois tiveram como membro posterior o Japão, pois este enfrentava dificuldades com a URSS e havia saído da Liga das Nações.

b) Os Aliados: Inicialmente composta por Inglaterra e França, mas que depois da invasão alemã à Paris, uniram-se a URSS e os Estados Unidos.

Invasão e Anexação da Polônia: Com um ataque fulminante, a Alemanha conquistou em menos de um mês o território polonês com uma estratégia que combinava invasão terrestre (com tanques) e aérea (com aviões). Logo, a força aérea alemã, a Luftwaffe, foi decisiva nas conquistas territoriais.

– Blitzkrieg: Esta tática de guerra chama-se Blitzkrieg e inaugurou uma nova forma de combate durante a Segunda Guerra, muito mais dinâmica do que os combates da Primeira. Utilizando estes dois recursos, Hitler percebeu que, com eles, conseguiria vencer um exército com superioridade numérica, pois teria uma mobilidade maior. Além disso, os tanques eram muito mais resistentes do que qualquer cavalaria, sem contar que poderiam ultrapassar as trincheiras sem perda de homens. Assim como a Primeira Guerra inaugurou uma nova forma de lutar, a Segunda Guerra Mundial também trouxe para o campo de batalha novas estratégias de guerra. Essa tática de guerra utilizada por Hitler ainda é empregada nas invasões dos dias de hoje. Os EUA, por exemplo, na Guerra do Iraque usaram tanques e aviões para invadir e ocupar o território inimigo.

Hitler e a Europa Ocidental (1940): Após a conquista da Polônia, Hitler voltou seus olhos para a Europa Ocidental e comandou invasões, conquistas e anexações sistemáticas. Conquistou a Dinamarca, a Noruega, a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo. Seu interesse era ter amplas bases militares afim de conquistar a França e a Inglaterra.

Expansionismo Italiano: Apesar de neutra até 1940, a Itália contou com ajuda alemã para expandir seus domínios, principalmente no norte da África.

Expansionismo Soviético: No leste europeu, conforme o Pacto de Não-Agressão firmado entre soviéticos e alemães, a URSS invadia e anexava os territórios do seu interesse: Estônia, Letônia, Lituânia e Finlândia.

A Entrada de Novos Atores

A Invasão da França (1940): Acreditando poder deter a invasão alemã, os franceses montaram um esquema de defesa inteiramente baseado em táticas da Primeira Guerra que foram facilmente vencidas pelos tanques e aviões potentes alemães. Ciente, Hitler invadiu a França pela Bélgica e por Luxemburgo, dando a volta e surpreendendo os franceses em seu próprio território.

– Divisão Territorial: A França foi dividida em duas partes. O norte passou a ser governado diretamente pelo Estado alemão e o sul era uma república francesa pró-nazista, a República de Vichy.

Ataque à Inglaterra: Os alemães acreditavam que a Inglaterra recuaria e os deixaria comandar o continente, mas não foi bem isso que aconteceu. Hitler ordenou vários ataques aéreos à ilha, entretanto, os ingleses contavam com poderosa tecnologia aeronáutica e combateram de frente a Luftwaffe com a RAF (Real Força Aérea), defendendo vitoriosamente o território inglês.

Avanço ao Leste Europeu: Sem sucesso na Inglaterra, Hitler se volta para a União Soviética. Invadiu e conquistou territórios do leste europeu, como a Romênia, a Bulgária, a Iugoslávia e a Grécia. Mesmo assim, Stálin ainda acreditava no respeito ao pacto de não-agressão.

– Ganhando Tempo e Operação Barbarossa: Invadir a URSS sempre esteve nos planos de Hitler. Assinar o acordo de não agressão era apenas para ganhar tempo e não ter que se preocupar em defender duas frentes em campos de batalhas. Com a invasão francesa concretizada, Hitler poderia atacar o leste e tomar posse do petróleo e do minério de ferro que os soviéticos tinham em seu território. Tais riquezas alimentariam as indústrias bélicas alemãs. O plano de invasão alemã à URSS foi nomeado de Operação Barbarossa.

Ataque alemão à URSS: Utilizando a tática Blitzkrieg e com cerca de 4 milhões de soldados, Hitler avançou na invasão à URSS rapidamente. Entretanto, os alemães não contavam com a mobilização popular soviética que aplicava a Tática de Terra Arrasada. Essa tática já era antiga e ajudou inclusive a derrubar o expansionismo de Napoleão Bonaparte. Antes dos soldados chegarem à cidade, a população destruía tudo que pudesse alimentar ou servir de abrigo aos soldados inimigos. Com a chegada do inverno o avanço nazista tornou-se extremamente penoso, pois os soldados não estavam preparados para o frio e não encontravam nem alimentos e nem abrigo. Essa investida apenas fez com que a URSS entrasse na guerra no lado dos Aliados.

Ataque Japonês aos EUA – Pearl Harbor (1941): Para barrar o imperialismo japonês na Indochina, região de interesse dos EUA, os mesmos congelaram os bens dos japoneses americanos e proibiram envio de petróleo ao Japão. A resposta japonesa foi o ataque kamikaze à Pearl Harbor, base militar marinha no Pacífico. Esse episódio marca a entrada dos EUA na guerra.

Campos de Concentração

Holocausto: Holocausto foi o nome que se deu à política de perseguição e extermínio ordenada por Hitler durante os anos de 1941 a 1945. Todos aqueles que não pertenciam à raça ariana eram julgados inferiores e poderiam ser exterminados. Dentre os grupos perseguidos – e já citados no texto – o que mais sofreu foi o dos judeus.

Campos de Concentração: É dessa época, também, a instalação dos primeiros campos de concentração, locais criados pelo governo que funcionavam como uma espécie de prisão. As pessoas levadas para lá eram obrigadas a realizar trabalhos forçados, viviam em péssimas condições e acabavam, na maioria das vezes, executadas por agentes do governo.

– Condições de Vida: Nesses locais, todos que ali estavam eram submetidos a longas jornadas de trabalho forçado; viviam em péssimas condições de higiene e recebiam pouca comida. Nessas condições viviam velhos, adultos, jovens e crianças de ambos os sexos, sujeitos a doenças e à fome constante. Muitos acabavam morrendo por conta dessas condições.

A Noite dos Cristais (1938): Em 1938, na madrugada do dia 9 e ao longo do dia 10, casas de judeus e sinagogas (templo religioso dos judeus) foram saqueadas e queimadas. Cerca de 30 mil homens judeus foram presos ou expulsos da Alemanha. Esse episódio fiou conhecido como a Noite dos Cristais e provocou a morte de pelo menos 90 judeus. Após esse episódio, os judeus foram obrigados a usar um símbolo que os identificasse, tornando-se obrigatório o uso da estrela de Davi costurada em suas roupas.

Expansão do Extermínio: Durante a Segunda Guerra, o número de campos de concentração aumentou para atender à política de extermínio implantada por Hitler. Judeus, ciganos, homossexuais, negros, eslavos, deficientes físicos e mentais e opositores ao nazismo foram levados para lá também.

Formação dos Guetos: Na Alemanha nazista, os judeus que ainda viviam nas cidades tiveram os seus bens tomados pelo Estado e passaram a viver em guetos, locais determinados pelo governo e fortemente policiados.

A Solução Final (1941): Hitler colocou em prática a política chamada Solução Final, que pregava o extermínio de todos os judeus. Após essa determinação, praticamente todos os habitantes dos guetos foram exterminados na Alemanha. Muitos prisioneiros acabavam morrendo fuzilados ou nas câmaras de gás, locais fechados onde as pessoas eram presas e morriam asfixiadas por gases letais.

Experiências Médicas: Inúmeros judeus eram escolhidos e submetidos às mais variadas experiências médicas nazistas para pesquisar cientificamente o corpo humano. Os judeus sofriam transplantes variados, eram induzidos a doenças, variações bruscas de temperatura e altitude.

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Cartilha ilustrativa das experiências científicas conduzidas por um dos principais cientistas do nazismo: Josef Mengele.

Vocês que vivem seguros,
Em suas cálidas casas,
Vocês que, voltando à noite,
Encontram comida quente e rostos amigos,

Pensem bem se isto é um homem,
Que trabalha no meio do barro,
Que não conhece paz,
Que luta por um pedaço de pão,
Que morre por um sim ou por um não.
Pensem bem se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome,
Sem mais força pra lembrar,
Vazios os olhos, frio o ventre,
Como um sapo no inverno.

Pensem que isto aconteceu:
Eu lhes mando estas palavras.
Gravem-nas em seus corações,
Estando em casa, andando na rua,
Ao deitar, ao levantar,
Repitam-na a seus filhos.

Ou, senão, desmorone-se a sua casa,
A doença os torne inválidos,
Os seus filhos virem o rosto para não vê-los.

– Primo Levi

Os Bastidores da Guerra

Os Protocolos dos Sábios de Sião: Trata-se de um texto antissemita forjado que descreve um alegado projeto de conspiração por parte dos judeus e maçons de modo a atingirem a “dominação mundial através da destruição do mundo ocidental”. O texto foi criado na época da Rússia czarista e foi traduzido, após a Revolução Russa de 1917, do russo para vários outros idiomas. Segundo os historiadores, o seu propósito era político: reforçar a posição do Czar Nicolau II da Rússia, apresentando alguns de seus oponentes como aliados de uma gigantesca conspiração para a conquista do mundo.

– Operação Paperclip: Originalmente chamada de Operação Overcast, a Operação Paperclip foi o nome de código da operação realizada pelo serviço de inteligência militar dos Estados Unidos para cooptar e levar aos Estados Unidos cientistas especializados em foguetes (V-1, V-2), eletro-gravitação, armas químicas, e medicina da Alemanha com o colapso do governo nacional socialista após a Segunda Guerra Mundial. Esses cientistas (dentre eles Wernher von Braun) e suas famílias foram secretamente levados para os Estados Unidos, sem o conhecimento ou aprovação do Departamento de Estado norte-americano. Nenhum deles tinha qualificação para um visto de entrada nos EUA, pois todos haviam servido a causa nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Lucro Acima de Tudo: Hitler tomou todo tipo de medida para preparar a Alemanha para seus planos imperialistas, e os empresários da época preferiam apoiar os nazistas em vez dos comunistas. Assim, quando os EUA entraram na guerra em 1941, muitas de suas subsidiárias alemãs continuaram negociando com os inimigos, mesmo com a política de genocídio sendo aplicada a todo vapor. Em outras palavras, algumas companhias não deixaram de lucrar só porque os alemães se tornaram os inimigos do mundo — nem quando os horrores do Holocausto começaram a vir à tona. Muitas inclusive contribuíram com os nazistas. E uma dessas companhias foi a subsidiária alemã da Coca-Cola, que mesmo não tendo mais o apoio da central em Atlanta, criou como alternativa o refrigerante Fanta.

– Henry Ford e o Antissemitismo: Ford comprou um jornal falido, o Dearborn Independent, que serializou Os Protocolos por 91 semanas. Sua empresa em seguida publicou a série sob a forma de livro, com o título O Judeu Internacional (The International Jew). Usando as técnicas de produção de massa, Ford pode expandir o alcance dos Protocolos, transformando-o de panfleto insignificante circulado entre uns poucos numa sensação nacional com tiragem de 500.000 exemplares. Ao devotar a força nacional de vendas e os ativos da Ford Motor Company à tarefa da hostilidade, Henry Ford foi o primeiro a organizar o antissemitismo político nos Estados Unidos. Acabou tornando-se, na verdade, herói dos antissemitas do mundo inteiro.

– Instituto Carnagie e a Eugenia (1911): A ciência norte-americana da eugenia acreditava que traços sociais como a pobreza, a prostituição e a preguiça eram determinados geneticamente. A permanência de linhagens racialmente inferiores – uma faixa ampla, que abrangia 90 por cento da humanidade – devia ser combatida através de vários métodos. Esses métodos incluíam meticulosa identificação, apreensão de bens, proibição ou anulação de casamento, esterilização cirúrgica forçada, segregação em campos e câmaras de gás operadas pelo governo.

– Fundação Rockfeller e Experimentação com Gêmeos: A Fundação agiu como parceira integral do Instituto Carnegie no estabelecimento da eugenia na América e na Alemanha. Na busca do aperfeiçoamento da raça superior, milhões de dólares da era da Depressão foram transferidos por Rockfeller para os médicos mais antissemitas de Hitler. Nessa busca, uma espécie de cobaia era desejada acima de todas as outras: irmãos gêmeos.

– General Motors e o Blitzkrieg: Conhecida por desenvolver o caminhão Blitz, na qualidade de maior fornecedora de carros e caminhões para o Reich, a GM tornou-se parceira indispensável da guerra de Hitler. Desde as primeiras semanas do Terceiro Reich o presidente da GM, Alfred Sloan, dedicou sua companhia e sua divisão alemã, a Opel, a motorizar uma Alemanha que ainda dependia substancialmente da tração animal, preparando-a dessa forma para a guerra. Antes disso a Alemanha tinha sido um país devotado a uma legendária engenharia automotiva, mas tratavam-se de carros construídos um a um, artesanalmente. A GM trouxe a produção de massa até o Reich, convertendo-a de país puxado a cavalo a potência motorizada.

– A IBM e a Solução Final: A IBM desfrutava na época de completo monopólio sobre tecnologia de informação. Sob a microgerência de seu presidente, Thomas Watson, e anunciando-se como “uma empresa de soluções”, em 1933 a IBM alcançou o novo regime de Hitler, oferecendo-se para organizar e sistematizar qualquer solução que o Reich desejasse, inclusive soluções para o problema dos judeus. Com a parceria da IBM o regime de Hitler conseguiu automatizar e acelerar substancialmente todas as fases do Holocausto de doze anos: identificação, exclusão, confisco, guetoização, deportação e até mesmo o extermínio.

 

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