História Geral

A Ascensão dos Fascismos: Itália, Portugal e Espanha

O fascismo é uma forma de radicalismo político autoritário nacionalista que ganhou destaque no início do século XX na Europa e teve origem na Itália. Os fascistas procuravam unificar sua nação através de um Estado totalitário que promove a vigilância, um estado forte, a mobilização em massa da comunidade nacional,confiando em um partido de vanguarda para iniciar uma revolução e organizar a nação em princípios fascistas, hostis a todas as vertentes do marxismo, desde o comunismo totalitário ao socialismo democrático.

O Fenômeno do Totalitarismo

Europa Fragilizada: A  Europa pós-guerra em reconstrução enfrentava sérias crises econômicas e um descrédito em relação à democracia liberal. A insatisfação popular era grande e a vontade por mudanças também. Aproveitando-se desse cenário de agitação e instabilidade, grupos sociais de alguns países começaram a enfrentar os governos com discursos ultra-nacionalistas e a defender regimes em que o Estado fosse mais forte. Estes grupos também eram anti-comunistas em resposta à Revolução Russa. A ascensão destes grupos ao poder é a construção do fenômeno totalitarista nazifascista.

Totalitarismo:  O totalitarismo assumiu formas diferentes em cada país que o adotou. Apesar das peculiaridades de cada um no exercício do poder, os regimes totalitários apresentavam algumas características comuns, mesmo em países diferentes. Destacam-se:

  1. Nacionalismo.
  2. Presença de líderes carismáticos e culto à figura destes.
  3. Controle dos meios de comunicação, uso de propagandas políticas e símbolos identitários.
  4. Uso da força e da violência de forma coercitiva para excluir quem não se enquadra no padrão.

Politização da Sociedade:  O autoritarismo conduz o povo à indiferença, à submissão passiva e à despolitização; enquanto o totalitarismo busca mobilizar a sociedade, moldando e impondo um comportamento submisso, mas ativo e militante.

Monopartidarismo: No autoritarismo, ainda ocorre a abolição de todos os partidos e sindicatos, porém no regime totalitário existe um único partido, bem como a presença dos sindicatos corporativistas. Vale ainda ressaltar que, no regime totalitário, tudo está sob o comando de um chefe carismático.

Anticomunismo: Os governos totalitários, por se colocarem contra as manifestações de trabalhadores e a luta de classes, criticavam intensamente os socialistas. Por isso, nos países totalitaristas ocorreram perseguições às pessoas que lutavam pela implantação do regime socialista. Da mesma forma, os valores individuais do liberalismo foram substituídos pela valorização do coletivo, das massas.

O Caso Italiano

Insatisfação com a Vitória: Saiu vitoriosa ao final da Primeira Guerra Mundial; contudo, não ficou satisfeita com as compensações territoriais que recebeu após as assinaturas dos tratados de paz.

Crise e Desemprego:  Aliados às insatisfações com os acordos, existiam também problemas econômicos no país, que alimentavam ainda mais as insatisfações da população. O índice de desemprego era muito alto, uma vez que os soldados, ao retornarem dos campos de batalha, não encontravam emprego nas fábricas. Estas não conseguiam absorver toda a mão de obra, já que a produção ainda não tinha retomado o montante esperado. A demanda ainda era pequena, pois, sem dinheiro, as pessoas quase não consumiam.

O Ano Grevista de 1919: Os trabalhadores, motivados pelos ideais socialistas, realizaram grandes greves em 1919, que assustaram o governo e a burguesia do país, principalmente porque, nas eleições realizadas naquele ano, o Partido Socialista teve uma expressiva votação.

Milícia Fascista:  Nesse mesmo ano, foi fundada a Fascio di Combattimento, uma organização paramilitar. Seu fundador, Benito  Mussolini, tornou-se, anos mais tarde, o grande líder da Itália. Ele fez parte, até 1915, do Partido Comunista. Após esse ano, se afastou das ideias de esquerda e passou a organizar e defender um governo forte e com poder centralizado para os italianos.

Camisas Negras e Partido Fascista:  A Fascio di Combattimento caracterizava-se por ser uma instituição militar marcada por forte disciplina. Contava com ex-oficiais e jovens pequeno-burgueses, que andavam uniformizados com camisas negras. Os “camisas-negras” espalharam-se por toda a Itália. Em 1921, a Fascio di Combattimento se transformou em Partido Nacional Fascista.

Apoio ao Partido Fascista:  As conquistas eleitorais de esquerda assustavam muito os setores mais conservadores, que percebiam que o regime democrático-liberal não conseguia controlar o aumento dos socialistas no país. Nesse contexto, os conservadores italianos começaram a considerar viáveis as propostas do Partido Nacional Fascista – de acabar com os socialistas – e passaram a apoiá-lo.

Marcha Sobre Roma: As ações desse partido tinham dois objetivos: buscar combater a esquerda e enfraquecer o governo liberal. Espancavam e assassinavam líderes de movimentos dos trabalhadores, como também promoviam manifestações  para desestabilizar o governo vigente. Uma dessas manifestações importantes foi a “Marcha sobre Roma”, em 1922. Nela, cerca de 50 mil “camisas-negras” tomaram a cidade de Roma e exigiram a nomeação de Benito Mussolini para um novo governo. Pressionado, o primeiro-ministro, Luigi Facta, renunciou e, assim, o rei Victor Emanuel III permitiu a chegada dos fascistas ao poder, sob a liderança de Mussolini.

Rumo ao Totalitarismo:  Em 1924, ocorreram eleições para o Legislativo e, por meio de manipulações, o Partido Nacional Fascista obteve a maioria das cadeiras. Aproveitando o momento de grande instabilidade, Mussolini impôs uma série de medidas e instaurou uma ditadura no país, a partir de 1925. Ele proibiu a existência dos partidos e jornais de oposição e determinou a expulsão do Parlamento dos deputados que não o apoiavam.

Polícia Secreta:  Para garantir a segurança do governo, foi criada, em 1927, a OVRA (Organizzazione per La Vigilanza e La Repressione dell’Antifascismo), uma espécie de polícia secreta.

Carta del Lavoro (1927):  Trata-se de um documento que organizava a legislação trabalhista da Itália, mas que, ao mesmo tempo em que atendia a reivindicações de trabalhadores, também instituía medidas repressoras para aqueles que se manifestavam contra o governo. As corporações passaram a ocupar o lugar dos sindicatos. Para Mussolini, essas novas organizações políticas deveriam reunir empregados e patrões.

– Cinema e Propaganda:  Benito Mussolini, quando assumiu o comando do país, colocou em prática a difusão dos ideais fascistas. O problema que ele enfrentou no pós-guerra foi que uma grande parte da população italiana era analfabeta, e aqueles que sabiam ler não conseguiam interpretar tudo que liam. O cinema, até então visto como uma diversão, passou a ser a grande “arma” do governo fascista italiano. Por meio de imagens, sem a necessidade de interpretação de textos, o discurso fascista chegaria às massas. Assim, o cinema deixou de ser apenas diversão e passou a ser uma importante estratégia do governo de Mussolini. Ele passou a ser utilizado de forma educativa e informativa para todos os italianos, da mesma forma que o rádio foi um importante instrumento da propagação do fascismo.  Foi criada, assim, em 1925, a LUCE (L’ Unione Cinematografia Educativa). Em italiano, luce signifia “luz”.

Tratado de Latrão:  Desde 1871, ano da conclusão da unificação, o governo italiano enfrentava problemas com a Igreja. A Santa Sé disputava com o Estado a posse de antigos territórios que eram de sua jurisdição antes da unificação. O papa não reconheceu a autoridade do rei Victor Emanuel II e, depois, a de Victor Emanuel III. Essa disputa ficou conhecida como Questão Romana. Em 1929, Mussolini, por meio do Tratado de Latrão, concedeu ao Vaticano a condição de Estado Pontifício independente. Além disso, tornou o catolicismo religião oficial do Estado e base de ensino.

Saindo da Crise: Afetados pela Crise de 1929 com alto desemprego e falência de empresas, o fascismo italiano estimulou grandes obras públicas para gerar empregos e aumentou a produção industrial bélica italiana.

Franquismo e a Guerra Civil Espanhola (1936-1939)

Crescimento Proletário: No início do século XX, algumas regiões da Espanha eram densamente industrializadas, possuindo tanto uma burguesia forte quanto um proletariado sólido, influenciado pelas lutas socialistas. A esquerda no país cresceu nas primeiras décadas com a formação de grupos anarquistas, socialistas e comunistas.

Reação Conservadora: A década de 20 na Espanha foi conturbada. O rei Afonso XIII Em 1923, para tentar conter o avanço da esquerda no país, aliou-se ao exército e apoiou o golpe militar sob a liderança do general Miguel Primo de Rivera.

Era de Golpes: De 1926 a 1929, o governo sofreu várias tentativas de golpe e enfrentou os efeitos da Crise de 29. Sem apoio político e com uma ampla insatisfação social, o general pediu demissão e a república foi proclamada no país.

Avanço da Esquerda: De cunho progressista, a República avançou em diversos setores para atender as demandas populares dos trabalhadores, o que assustava ainda mais os conservadores e os alarmava para uma possível revolução socialista.

Polarização Social (1929-1934): Os trabalhadores de todas as correntes socialistas gradativamente uniram-se em apenas um bloco com a finalidade de que esta coalização política fosse forte o suficiente para garantir efetivas mudanças sociais e reformas políticas. Era A Frente Popular.

União Conservadora (1934): Com medo da união proletária, grupos conservadores fascistas, juntamente com o exército, quase todo clero e a alta burguesia formaram também uma coalização política em resposta à Frente Popular. Era a Falange Espanhola Tradicionalista.

Frente no Poder (1936): Em 1936, a Frente Popular venceu as eleições. Instituiu um governo com objetivos populares e, entre suas propostas, estavam reformas sociais importantes no país, como, por exemplo, a reforma agrária. Estas intenções foram o suficiente para um levante militar contra o poder republicano.

Levante Militar (1936): Em 1936, o general Francisco Franco, com o apoio dos generais Deliano, Mola e Sanjurjo, apoiados pela burguesia conservadora, deu início a um levante contra o governo republicano. Recebeu a adesão da Falange, de latifundiários, da maior parte da classe média e de amplos setores da Igreja, excetuando-se o clero catalão e o basco (regiões mais industrializadas e, portanto, mais proletarizadas). As milícias improvisadas pelos trabalhadores e demais setores populares conseguiram resistir, permitindo que as tropas republicanas se organizassem. Começava a Guerra Civil Espanhola.

– Divisão Campo/Cidade: Os rebeldes conquistaram rapidamente os setores rurais. Porém, nos grandes centros urbanos, como Madri, Barcelona e Bilbao, o governo republicano manteve o controle da situação.

Guerra Civil Espanhola (1936-1939): A guerra acabou ganhando status de um conflito internacional, pois os países europeus apoiaram os lados que lhes interessavam politicamente. Ao lado dos republicanos, lutaram as Brigadas Internacionais que, na verdade, eram unidades formadas por voluntários favoráveis à manutenção da república. O general Franco recebeu apoio da Itália e da Alemanha.

– Enfraquecimento Proletário: Durante o conflito, as divergências ideológicas entre as correntes de esquerda provocaram desunião entre as coalizões socialistas, que por muitas vezes acabaram entrando em conflito entre si, ajudando Franco a ganhar a guerra.

Interferência Nazifascista: Uma vez que, observando a possibilidade de ascensão de mais um regime totalitário, chefes de outros regimes conservadores, como Adolf Hitler, Benito Mussolini e Antônio Salazar, cederam tropas em favor dos militares golpistas. A Alemanha, vendo o “potencial” fascista espanhol, enviou algumas de suas armas mais modernas, assim como a Divisão Condor, formada por alguns dos melhores aviões e pilotos alemães.

Laboratório da Guerra: Esse conflito foi de fundamental importância para o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, visto que o país serviu como campo de testes para que militares alemães e italianos experimentassem novas armas e desenvolvessem suas táticas de guerra moderna, em especial os combates aéreos e blindados. Em 1937, por exemplo, as forças alemãs comandaram um bombardeio aéreo que destruiu a cidade espanhola de Guernica. Este evento é a inspiração da famosa pintura homônima, de Pablo Picasso.

Fascismo Espanhol Isolado:  Franco assumiu o controle do país em 1939 e governou-o seguindo as orientações fascistas. Por isso, suprimiu as diferenças regionais, como foi o caso da Catalunha. Além disso, perseguiu a esquerda e assumiu uma postura isolacionista no mundo, tanto que não participou da Segunda Guerra Mundial. Fim: Em 1975, com a sua morte, o franquismo (nome dado ao regime fascista na Espanha) deixou de existir, e a Espanha retornou à democracia, sob o regime da monarquia parlamentar.

Fim: Em 1975, com a sua morte, o franquismo (nome dado ao regime fascista na Espanha) deixou de existir, e a Espanha retornou à democracia, sob o regime da monarquia parlamentar.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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