História Geral

A Crise de 1929

A Grande Depressão, também conhecida como Crise de 1929, foi uma grande depressão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Entender a maior crise econômica da história ajudará a entender o surgimento dos regimes totalitários.

Os Anos 20 nos Estados Unidos

Crescimento Norte-Americano: Os Estados Unidos transformaram-se na principal potência econômica mundial, ao mesmo tempo que atraíam imensa quantidade de imigrantes. A Alemanha, considerada culpada e obrigada a pagar altas indenizações, pegou empréstimos com os norte-americanos.  A partir de 1922, a Inglaterra e a França começaram a pagar aos EUA os empréstimos que haviam adquirido durante a guerra e o país cresceu muito.  Os EUA, assim, recebiam os pagamentos dos países europeus e ainda continuavam vendendo os seus produtos para o velho continente.

– Sociedade de Consumo: O país em crescimento assistiu ao desenvolvimento das indústrias de bens de consumo e ao aumento considerável do consumo da população. Vários produtos e novidades estavam disponíveis para aqueles que pudessem pagar pela mercadoria. Eles fizeram a cabeça das pessoas, pois mudaram comportamentos e práticas. A música e o cinema passaram a ser uma importante indústria do divertimento e, assim, produtoras de sonhos.

– O American Way Of Life:  Os Estados Unidos, na década de 20, inauguraram um estilo próprio de viver, que passou a ser conhecido e copiado em todo o mundo.  Esse novo padrão estabelecia modelos ideais de vida para atingir a felicidade: você só seria feliz se adquirisse as mercadorias que eram vendidas. As propagandas da época estimulavam o consumo e relacionavam os produtos à praticidade e a uma vida perfeita.

As Relações Políticas Norte-Americanas

Isolacionismo: Os presidentes seguintes à Woodrow Wilson continuaram defendendo a política do isolacionismo e do liberalismo econômico, amparados na Doutrina Monroe (“a américa para os americanos”). Dessa forma, abdicaram de um engajamento total nos assuntos internacionais. Não ratificaram o Tratado de Versalhes e não participaram da Liga das Nações.

Tiro no Pé: Essa ausência foi uma das razões de sua falência dos impasses europeus que terminaram formando os Estados totalitários. Intensificando o isolacionismo, baixaram diversas leis restritivas à migração a partir de 1921, reduzindo o número de imigrantes.

Crise do Liberalismo Econômico: Acreditando na tendência intrínseca do mercado para a racionalidade e superação dos problemas econômicos sem intervenção estatal – pilares do liberalismo econômico – os presidentes americanos intensificaram essa política.

A Crise de 1929

A Recuperação Europeia: A Europa, consumidora dos seus produtos, retomou as suas atividades econômicas e, aos poucos, recuperou-se dos anos de conflito. Consequentemente, diminuíram as importações de produtos norte-americanos.

Formação da Crise: A má distribuição de renda acentuou a desigualdade social e impossibilitou a ampliação do consumo, essencial para o crescimento econômico. Essa dificuldade de expandir o consumo interno resultou em uma grande estocagem de mercadorias, proveniente do modo de produção fordista.

– Fordismo: Inicialmente aplicado à indústria automobilística, criado por Henry Ford, baseava-se na racionalização do gerenciamento da produção e da garantia da capacidade de consumo pela classe trabalhadora. Cria ao mesmo tempo muitos trabalhadores, mas um grande mercado consumidor que escoa a produtividade. O trabalho fordista é caracterizado pela divisão da produção em diferentes partes, onde cada trabalhador realiza uma tarefa específica e somente ela, com produção em larga escala e baixo-preço para estimular o consumo.

Desemprego e Consumo: O setor agrícola foi um dos que mais sentiram com o fim da guerra. A produção caiu consideravelmente, e muitos agricultores não conseguiam mais pagar suas dívidas junto aos bancos. Trabalhadores rurais desempregados buscaram novas oportunidades de trabalho nas cidades, que, por sua vez, não conseguiram absorver todos que buscavam emprego. É que elas também já tinham grande número de desempregados por causa da mecanização das indústrias. A ampliação do desemprego levou a crescente diminuição do consumo.

Especulação Financeira: Desde 1925 uma intensa atividade econômica nos Estados Unidos impulsionou uma grande especulação financeira por meio da compra e venda de ações de grandes empresas na bolsa de valores em Nova York, mas de forma ilusória, pois muitas já estavam endividadas e não tinham os lucros apresentados. Em meados de 1929 o valor das ações quadruplicou e cada vez mais investidores foram atraídos com a perspectiva de enriquecer.

Mercado Atrofiado: O aumento do número de investidores e do volume de investimentos tinha um limite físico, pois o mercado interno estava limitado por conta da crise de superprodução e subconsumo, enquanto o mercado externo estava arrasado pela Primeira Guerra Mundial. O Presidente Hoover manteve sua posição liberal e não interferiu, a crise explodiu.

A Quinta Feira Negra: Em 24 de outubro de 1929 a crise explodiu quando uma grande venda de ações não encontrou compradores, fazendo os preços despencarem. Essa situação causou um pânico geral. Afinal, ali ficou claro que as empresas norte-americanas estavam falidas e a Bolsa de Nova York, quebrada. Com medo, os investidores tentaram livrar-se dos papéis, mas originaram uma avalanche de ofertas de ações que só aceleraram a ruína. 85 mil empresas faliram, 4 mil bancos fecharam e o desemprego chegou a 15 milhões de cidadãos, disseminando a fome e o desespero.

Efeito Dominó: A crise de 1929 abalou todo o mundo, com exceção da União Soviética que estava fechada em torno do plano econômico stalinista. A difusão da crise contou com dois fatores fundamentais: a redução das importações norte-americanas, afetando duramente os países que dependiam de seu mercado e repatriando os capitais norte-americanos investidos em outros países.

O New Deal

Mudança Política: Por conta da crise econômica, os Republicanos foram vencidos pelos Democratas e Franklin Roosevelt tornou-se presidente. Suas primeiras medidas foram ampliar a intervenção estatal na economia para controlar a crise através da política do New Deal.

O New Deal: O capitalismo liberal clássico não-intervencionista dá lugar ao novo capitalismo com intervenção estatal, amparado no teórico econômico John M. Keynes. Roosevelt determinou grandes emissões monetárias inflacionando deliberadamente o sistema financeiro, fez investimentos estatais estimulando uma política de empregos, o que ativou o consumo e possibilitou a economia norte-americana se recuperar.

– Diminuindo o Desemprego:  A falta de empregos era o grande problema, pois, sem eles, não há salário e não há consumo para os produtos. Visando resolver esse problema, Roosevelt criou um programa de construção de obras públicas com o objetivo de gerar empregos e ampliar a infraestrutura do país.  Além disso, Roosevelt criou o salário-desemprego e algumas leis que geraram frentes de trabalho para jovens e desempregados. Concedeu, ainda, financiamentos a fazendeiros e industriais, sob a supervisão do governo. Os setores da educação e saúde também receberam investimentos importantes.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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