História Geral

O Renascimento Cultural

Renascimento, Renascença são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIV e o fim do século XVII. Os estudiosos, contudo, não chegaram a um consenso sobre essa cronologia, havendo variações consideráveis nas datas conforme o autor. Seja como for, o período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

Descobertas e Inovações

O Surgimento da Imprensa: A importância do indivíduo e sua capacidade criadora, até então intimidadas pela onipresença divina, valorizavam-se nas ações cotidianas. Essa verdadeira mudança de paradigmas foi facilitada pela expansão do hábito da leitura, a partir da invenção da imprensa, por Gutenberg. A transmissão do conhecimento – até aquele momento marcada quase exclusivamente pela tradição oral – superava limites. A Imprensa também permitirá o surgimento do papel-moeda e do crédito, possibilitando uma complexificação da economia ainda maior.

Nascimento do Humanismo: A noção medieval do mundo teocêntrico, na qual Deus era o centro e a medida de todas as coisas, e os indivíduos, meras engrenagens da máquina gerenciada pelo Criador, dava lugar a uma nova postura intelectual, que devassava todos os aspectos da vida social, desde os hábitos e costumes até as artes e a filosofia. Era o Humanismo: o homem passava a figurar como criação privilegiada de Deus (o antropocentrismo), merecedora de todo o elogio e valorização, porque era dotado da razão (racionalismo), instrumento por meio do qual poderia investigar, conhecer e dominar o mundo.

Grandes Navegações e o fim da Unidade Europeia: Graças às grandes navegações e à exploração ultramarina, os europeus descobriram novas etnias que não estavam presentes na bíblia, o pilar fundamental de seu mundo. Aos poucos, a unidade europeia que era amarrada pela Igreja Católica ruía.

“Renascimento”

Conceito: O termo foi cunhado em 1550 pelo pintor italiano Giorgio Vasari (1511-1574), com a fialidade de identifiar a contundente transformação que a pintura, a escultura e a arquitetura experimentavam nas cidades italianas do século XVI. O apego aos estilos vigentes na Antiguidade greco-romana (preocupação com detalhes da anatomia humana, por exemplo), a valorização da perspectiva (representação da realidade tridimensional) e a atenção à geometria como componente da técnica artística passavam a ser aspectos determinantes da nova maneira de se fazer arte

Problematização: O motivo da expressão “renascimento cultural” é que os humanistas do século XVI buscavam uma idealização negativa da Idade Média, para que, assim, fossem exaltados como artífices de uma ruptura declarada com o passado. Ao preconizar o retorno aos padrões estéticos greco-romanos, caracterizados pela ode ao ser humano, suas realizações e vontades, o Renascimento acompanhava os interesses de novas forças sociais – como a burguesia ascendente e os monarcas cada vez mais fortes – que tinham no mundo material (comércio e política, respectivamente) seu palco de atuação – e que, por isso, se regozijavam em denegrir a religiosidade medieval.

Cristianismo Intacto: Entretanto, se é verdade que o Renascimento queria difundir uma cultura que se opusesse ao pensamento medieval, nunca defendeu um retorno aos valores pagãos. Apesar de valorizar o saber laico, nunca rompeu com os valores cristãos.

Declínio Religioso: A atração exercida pelo entendimento racional do mundo é consequência do ambiente experimentado pela Europa. Eram tantas as transformações materiais impulsionadas pelo comércio, pela descoberta do Novo Mundo, pelo fortalecimento da figura do Rei, pelas inovações tecnológicas, que a preocupação com o plano divino perdia importância no cotidiano dos homens daquele tempo. Isso inevitavelmente enfraquecia a onipresença da Igreja Católica sobre a vida comum.

Revolução Científica

A Razão Científica: Já que cada vez menos o dogma cristão explicava e traduzia as mudanças na sociedade europeia, cada vez mais surgia a necessidade de uma razão científica que buscasse explicações para o mundo natural. Diferentemente dos gregos, elas não seriam baseadas apenas na observação, mas na comprovação empírica.

a) Leonardo da Vinci: Polímata pesquisador da aerodinâmica, anatomia e geometria.

b) Nicolau Copérnico: Teorizador do heliocentrismo.

c) Galileu Galilei: Defensor do heliocentrismo.

d) Isaac Newton: Responsável por consolidar o sistema copernicano.

Heliocentrismo vs. Geocentrismo.gif

Resistência Católica: Grande parte destes literatos e cientistas foram acusados de heresia e perseguidos pela Igreja Católica, que se debatia para resistir às mudanças de pensamento na Europa moderna.

Literatura

Literatura Crítica: Escritores contemporâneos ao renascimento cultural deste período passaram a criticar a centralidade da Igreja e defender a liberdade de consciência.

a) Erasmo de Roterdã (1466-1536): Defensor da liberdade de consciência e crítico dos rigores doutrinários da Igreja.

b) Michel de Montaigne (1533-1592): Valorizou o ceticismo.

c) Thomas Morus (1478-1535): Autor da Utopia. A obra imagina a superação das desigualdades sociais em torno de uma comunidade perfeita.

Literatura Antropocêntrica: Em comum, esses autores se debruçaram sobre angústias humanas, sentimentos e questionamentos acerca de aspectos da vida.

a) Miguel de Cervantes: Dom Quixote.

b) Camões: Os Lusíadas.

c) Shakespeare: Hamlet, Macbeth, O Rei Lear, Otelo.

Hedonismo: Aliás, essa postura de valorização do prazer e do amor carnal seria comum no Renascimento – o hedonismo.

O Barroco

Reação Cristã: A Igreja evidentemente, reagiu ao conhecimento que derrubava as explicações teológicas medievais. Apesar de ela própria ter incentivado essa produção artística renascentista inicialmente, a partir do século XVII ganha força o patrocínio a um novo estilo, carregado e rebuscado, que, do ponto de vista temático, representou o apogeu de temas religiosos.

Chiaroscuro: Técnica amplamente utilizada pelos artistas barrocos que priorizava contrastes de muita luz com tons muito escuros e negros. A intenção era desfocar da experiência carnal para consagrar a experiência mistica da fé.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

  1. As famílias mais ricas de Florença em 1427 ainda hoje são as mais ricas.

Vídeos:

  • Sobre a desvalorização da arte hoje em dia:
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