História do Brasil

A Crise da República Oligárquica

A economia mundial buscava se restabelecer e os governos europeus, reconstruir os seus países. Apesar de não ter participado diretamente do conflito, o Brasil sofreu indiretamente. A economia cafeeira entrou em crise, afinal, em uma guerra, o café acabou se tornando um produto supérfluo, e, portanto, cortado das listas de importações dos países europeus. Além disso, o governo brasileiro precisou investir nas indústrias, pois no período da Guerra não tínhamos como comprar mercadorias europeias. Foi o momento da substituição das importações.

Crise Econômica

Ganância do Café e Crise:  A política de valorização do café seguia uma ideia de que, após grandes safras, os cafeicultores deveriam produzir safras menores. Assim, o preço e a quantidade do produto estariam seguros. Porém, após 1926, assistiu-se a um período de grandes safras consecutivas e sinais de que a economia do café apresentaria uma grave crise.

Reação Republicana (1922):  Neste movimento, as elites do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro se aliaram contra a candidatura de Artur Bernardes. Isso porque, o candidato representava os interesses de São Paulo e Minas Gerais e os estados anteriormente citados desejavam romper com esse controle

Crise Social

Insatisfação Generalizada:  A elite estava insatisfeita com a hegemonia de Minas e São Paulo no cenário nacional e, as camadas populares com a falta de participação política e a ausência de melhorias.

Novos Agentes na Política:  Os grandes cafeicultores passaram a conviver no cenário político com uma presença maior das classes médias urbanas. As reivindicações não passavam somente por demandas de valorização do preço do café, mas também por melhores condições de trabalho e de salários, por eleições menos fraudulentas e por instituição de leis trabalhistas.

Proletariado:  Os operários mais engajados se organizavam em sindicatos e partidos. Nessa altura, São Paulo e Rio de Janeiro destacavam-se no cenário político do país.

Militares:  Isso porque eles estavam afastados desde o governo do marechal Hermes da Fonseca (presidente em 1910) e desejavam mais participação política.

Artistas:  Os intelectuais e os artistas, também insatisfeitos com a pouca expressão da arte brasileira, buscaram mudar e modernizar o cenário cultural do país.

A Fundação do PCB – Partido Comunista Brasileiro

Origem:  A fundação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922, foi resultado do aumento do número de operários no Brasil e da grande concentração de imigrantes entre eles. Surgiu como uma resposta aos problemas existentes no país em relação à exploração do trabalhador.

A Revolução Russa de 1917: Essa revolução terá impacto mundial, pois irá demonstrar que o comunismo (muito mais do que o anarquismo) é uma opção viável de substituição do capitalismo. Vários partidos comunistas surgirão ao redor do mundo, com apoio do Partido Comunista Bolchevique, o russo, inclusive o brasileiro.

O PCB:  No Brasil não foi diferente. Muitos seguidores do anarquismo perceberam que o melhor caminho para a melhoria das precárias condições de trabalho era fundação de um partido nos moldes do modelo russo. Após a fundação do PCB, os trabalhadores passaram a se reunir e a lutar em prol da causa operária pelo país de forma mais organizada e sistemática.

A Semana de Arte Moderna (1922)

Relevância: Ele se tornou importante para a história porque representou uma ruptura com a arte que até então era feita no Brasil.

Influência Europeia:  Os intelectuais e artistas brasileiros, principalmente aqueles que viveram nas grandes cidades da época, foram influenciados pelas novas tendências artísticas que a Europa vivia no século XX: o Futurismo, o Surrealismo, o Expressionismo e o Cubismo. A partir delas buscaram propor mudanças na arte brasileira e usaram essas novas tendências para promover as inovações que desejavam na arte brasileira, sem abandonar os elementos tradicionais da nossa história.

– Surrealismo:  Foi um movimento artístico e literário que surgiu no início do século XX. Os artistas que aderiram ao Surrealismo buscaram exprimir, por meio das suas obras, imagens do nosso subconsciente, portanto as imagens não estão ligadas ao mundo real, elas distorcem o que é real. Além disto, os pintores surrealistas eram extremamente vinculados ao movimento político anarquista da época.

– Cubismo:  Foi um movimento artístico que, assim como o Surrealismo, surgiu no início do século XX. Os artistas que fazem parte desse movimento procuraram pintar as pessoas e os objetos em vários ângulos, em uma mesma tela. Para tanto, fragmentavam a imagem em vários pontos, além de utilizar outros materiais que não fossem a tinta.

Uso Político da Arte: Não apenas uma renovação artística, a nova Arte Moderna brasileira também promovia duras críticas à política brasileira e às desigualdades sociais sofridas.

Representação e Igualdade: Novos personagens, antes injustiçados como inferiores, surgirão fortes nesse movimento artístico, como o herói indígena, negro e nordestino.

Reação Conservadora: Os modernistas mostraram por meio de suas obras suas críticas à sociedade brasileira. O resultado chocou o público. Este, acostumado com textos e pinturas mais tradicionais, assustou-se com o que viu e ouviu, e posicionou-se contra o movimento.

Conquista Gradual:  Mesmo com pouca aceitação no início, os modernistas ganharam espaço no cenário artístico e político do país. O papel desses intelectuais foi de extrema importância para a nova concepção artística do país. Entre eles, destacamos: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Carlos Drumond de Andrade, entre outros.

Nova Vida Cultural: Caracterizada por um maior diálogo entre a vida artística e um intercâmbio entre a arte brasileira e a arte europeia. Além disso, nas suas obras era proposto o desenvolvimento urbano e industrial. Buscavam a modernização do país se opondo, assim, ao modelo agrário exportador de séculos de história. Sem contar que houve uma busca pela valorização do folclore e do patrimônio cultural brasileiro.

Tenentismo

O Papel dos Militares: Como foi dito, os militares encontravam-se insatisfeitos com a falta de participação política, mas principalmente com o domínio das oligarquias mineira e paulista. Com a candidatura do mineiro Artur Bernardes, um grupo de militares colocou-se contra a eleição. No dia cinco de julho de 1922, jovens oficiais do exército iniciaram uma revolta. Esse movimento marca o início de uma série de revoltas promovidas pela baixa oficialidade do exército, os tenentes, que marcou o período da Crise da república. Daí, a origem do nome Tenentismo.

A Revolta dos 18 do Forte (1922): Após contínuos desentendimentos entre os membros do exército e o governo,  os tenentes ficaram furiosos por dois motivos: mais uma vitória de um representante das oligarquias em uma eleição fraudulenta e pelas cartas difamadoras contra os membros do exército. A revolta iniciou na madrugada do dia 05 de julho de 1922, no Forte de Copacabana. Sem forças, a revolta foi duramente reprimida.

A Revolta Paulista de 1924: Também de cunho tenentista, a  rebelião começou no dia em que se comemorava dois anos da “Revolta dos 18 do Forte” sob a liderança do General Isidoro Dias Lopes. Os tenentes tomaram o poder e o governador Carlos de Campos fugiu de São Paulo. O estado recebeu tropas enviadas pelo governo federal. Após 22 dias de domínio tenentista, sem apoio popular e sem ter como lutar contra a superioridade bélica das tropas do governo, os tenentes rebeldes deixaram a cidade e caminharam em direção ao estado do Paraná. Neste estado se estabeleceram, fundaram um quartel e enfrentaram tropas federais.

Surge Luís Carlos Prestes:  Em outubro de 1924, os tenentes do Rio Grande do Sul começaram uma revolta militar sob a liderança de Luís Carlos Prestes. Após a revolta ter se espalhado por várias cidades do estado, o movimento obedeceu a ordens do General Isidoro Dias e marchou até o Paraná. Lá, o grupo se reuniu e se fortaleceu.

Objetivos e Afastamento de Isidoro:  Os objetivos dos tenentes gaúchos não eram diferentes dos paulistas. Desejavam a deposição do Artur Bernardes, liberdade de imprensa e religiosa, voto secreto, alfabetização e melhores condições de trabalho para os operários. Doente, o general Isidoro Dias Lopes foi afastado do comando e a coluna passou a ser comandada por Miguel Costa e Luís Carlos Prestes.

A Coluna Prestes:  Juntos, iniciaram uma marcha pelo interior do Brasil que durou dois anos. Entre 1924 e 1926, percorreram mais de 20 mil quilômetros, passando por vários estados. Buscavam denunciar os desmandos das elites locais. Apesar dos objetivos e de sua luta, nem sempre a Coluna conseguiu o apoio popular e da opinião pública. Apenas em alguns locais durante a marcha eles receberam apoio.

Fim Natural:  A falta de um programa político definido e de apoio no meio rural e urbano mostrou a fragilidade do movimento. Em nenhuma das batalhas travadas com tropas federais os tenentes perderam. A Coluna Prestes, então, foi desarticulada por si só. Uma parte do grupo acabou se fixando na Argentina, Bolívia e Uruguai ou foi reprimidos pelas oligarquias dissidentes.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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