História Geral

A Baixa Idade Média

A Baixa Idade Média é o período da história Medieval que vai do século XIII ao XV. Corresponde a fase em que as principais características da Idade Média, principalmente o feudalismo, estavam em transição. Ou seja, é uma época em que o sistema feudal estava entrando em crise. Muitas mudanças econômicas, religiosas, políticas e culturais ocorrem nesta fase.

As Cruzadas e o Renascimento Comercial

Jerusalém: A região sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos – encontrava-se sob controle islâmico desde o século VII. Em 1095, o papa Urbano II convocou os cristãos da Europa para uma jornada de fé a fim de reconquistar a Terra Santa. Era o início da Cruzadas. Estas, eram expedições militares organizadas esporadicamente até 1291 com o objetivo de reconquistar Jerusalém e outros lugares considerados sagrados no Oriente Médio.

Cruzadas e Conquistas: Nesse período de quase dois séculos, oito Cruzadas foram lançadas, sendo a primeira destacada por ter conseguido conquistar Jerusalém após um sangrento conflito que contabilizou mais de 30 mil mortos.

  • Cavaleiros Templários: A Ordem dos Templários existiu por cerca de dois séculos a partir da Primeira Cruzada de 1096. Seu maior propósito era proteger as peregrinações cristãs que voltaram a ocorrer após a conquista de Jerusalém

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Novas Oportunidades: Graças às Cruzadas, caminhos de navegação foram abertos e explorados. Nesse aspecto, destacaram-se os experientes mercadores das cidades italianas de Veneza e Gênova, que já tinham relações com o Império Bizantino e, portanto, conheciam muito bem as rotas no Mediterrâneo.

Proeminência Italiana: A saída de milhares de europeus em direção ao Oriente representou, assim, uma grande oportunidade para os italianos, que praticamente monopolizaram esse translado.

– A Liga Hanseática: A Liga Hanseática foi uma aliança de cidades mercantis que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo norte da Europa e Báltico, em fins da Idade Média e começo da Idade Moderna (entre os séculos XIII e XVII). De início com caráter essencialmente econômico, desdobrou-se posteriormente numa aliança política.

– As Feiras de Champanhe: Ligava as cidades italianas até a parte norte da França. Ao longo dessa rota de comércio, formaram-se acampamentos de comerciantes conhecidas como burgos e mais tarde possibilitaram o aparecimento de cidades chamadas Comunas.

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Mudança nos Hábitos Feudais: A consequente abertura de novos portos pelo Mediterrâneo fez com que o comércio entre Ocidente e oriente se otimizasse. Produtos orientais aos poucos foram fazendo parte do consumo cotidiano dos grupos abastados da sociedade medieval. O contato cultural com oriente graças às cruzadas aos poucos modificará a unidade europeia.

Reflorescimento Comercial: Em decorrência dessa dinamização mercantil, os europeus se interessaram em desenvolver seus próprios recursos naturais, promovendo seu comércio provincial e local, até então adormecido pela subsistência feudal.

  • Inovações Tecnológicas: Para intensificar a produção dos próprios recursos gerando excedentes, novas tecnologias surgiram neste momento, como arados de ferro, rotação de culturas e outras descobertas relativas à produtividade agrícola. Com a circulação de excedentes e mercadorias, também circulavam essas informações.
  • Retorno das Cruzadas: Quando retornavam das cruzadas, muitos cavaleiros saqueavam cidades no oriente. O material proveniente destes saques (jóias, tecidos, temperos, etc) eram comercializados no caminho. Foi neste contexto que surgiram as rotas comerciais e as feiras medievais. A saída dos muçulmanos do mar Mediterrâneo também favoreceu o renascimento comercial.

O Surgimento das Feiras:  Surgiram feiras de comércio para a negociação dos excedentes, as quais, aos poucos, foram assumindo feições de cidades, não só atraindo mercadores de várias regiões que passaram a fixar residências mas também estimulando a fuga de servos dos feudos próximos que encontravam nessas cidades uma atmosfera de liberdade e de relações sociais mais dinâmicas. Caso os senhores não reclamassem o retorno de seu servo em um ano, ele era considerado livre de suas obrigações. Mas poucos senhores se preocupavam com isso.

Relações Servis e Rentabilidade:  Na prática, os servos iam se tornando arrendatários da terra de seus senhores, que se conscientizavam, de que o trabalho livre era mais rentável do que o trabalho servil. E, naquele efervescente cenário econômico, rentabilidade era algo cada vez mais valorizado pelos proprietários de terra.

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A Burguesia e a Notoriedade Crescente dos Reis

Da Feira ao Burgo: Aos poucos as cidades foram ficando superpovoadas, levando à construção de muralhas que pudessem proteger o rico comércio lá realizado. Essas muralhas passaram a ser chamadas de burgos (“fortaleza” em latim), e seus ricos comerciantes, de burgueses.

Produção Manufatureira: O desenvolvimento manufatureiro também se acelerou, o que explica a organização de comerciantes e artesãos em guildas ou corporações de ofício de acordo com o tipo de mercadoria vendida ou fabricada. Tais instituições garantiam o controle sobre a produção manufatureira da região, regulando a concorrência.

Guildas: As guildas controlavam a produção e o comércio de artigos manufaturados nas cidades. Estabelecia-se assim um verdadeiro monopólio, impedindo qualquer concorrência externa. Os preços eram fixados entre os próprios membros, não existindo a livre concorrência. Eram aplicadas multas severas diante de qualquer prática comercial não regulamentada.

O Início do Fim: Surgia assim uma nova forma de riqueza derivada do comércio e da manufatura, e a agricultura perdia seu caráter universal, ainda que mantendo sua importância. Esse renascimento urbano e comercial experimentado a partir do século XI preparou a grande transformação que vai pôs fim à Europa Medieval.

Influências e Alterações na Política: Uma vez que o feudalismo se transformava, seu aspecto político mais marcante – a descentralização do poder nas mãos das elites proprietárias locais – também seria alterado. Se até então as populações locais viam no nobre proprietário a grande referência de autoridade em detrimento da autoridade distante do rei, a Baixa Idade Média iria conferir notoriedade crescente aos monarcas.

O Lugar Político dos Burgos: As cidades livres eram entidades inicialmente apartadas da relação administrativa tradicional inaugurada na Alta Idade Média, mas foram se adaptando e convivendo com as tradicionais estruturas do feudalismo, como os ducados e condados. Entretanto, se estes eram controlados por nobres, aqueles o eram por burgueses. Nobres possuíam milícias próprias para a proteção de suas terras. Burgueses, não.

Auxílio Real: Precisavam contar com os exércitos do rei para a defesa. Cientes disso, os reis organizavam exércitos mais numerosos para garantir a defesa e o apoio das cidades, das quais se tornavam uma espécie de protetor. Não é surpreendente que aos poucos essa mesma burguesia passasse a fazer parte de assembleias, como os Estados Gerais na França e a Dieta alemã, antes espaços exclusivamente nobres, sempre com a chancela real.

Ressurgimento da Autoridade Monárquica: Ao mesmo tempo, a economia baseada no comércio e na manufatura exigia novas práticas fiscais aprimoradas em relação aos antigos impostos feudais. A autoridade monárquica tornava-se premissa de legitimidade  dessa nova estrutura tributária e principalmente de sua aceitação pela população.

A Crise do Século XIV

Catástrofes Naturais: Entre 1310 e 1315 chuvas intensas destruíram as plantações de trigo. O preço do pão disparou. Com a saída de mão de obra dos feudos (lembre-se do fascínio exercido pelas cidades) os camponeses que lá permaneceram passaram a ser superexplorados. Sem comida e cansados, estavam sujeitos a epidemias. Era a peste negra, na verdade, a peste bubônica, transmitida pelas pulgas dos ratos que infestavam cidades e feudos.

– Peste Negra, Características Gerais: Relatos bíblicos indicam que, desde a Antiguidade, o Oriente Médio já sofria com essa doença mortal, cujo nome vem das bolhas escuras que faz surgir na pele. O surto medieval da peste negra teria começado na China, em 1333, chegando à Europa em 1347, por motivos diversos. Alguns historiadores acreditam que o mal pode ter se espalhado por uma guerra onde soldados turcos usaram catapultas para lançar cadáveres infectados dentro de um entreposto comercial genovês na Crimeia (hoje, parte da Ucrânia). Outra versão afirma que a doença desembarcou acidentalmente, com ratos vindos em navios procedentes da Turquia. O fato é que a doença logo se espalhou a partir dos portos do Mar Mediterrâneo. Os médicos responsáveis por tratar esta doença tornaram-se famosos pela máscara que usavam. A máscara tinha um formato de bico de pássaro, dentro da qual haviam inúmeros itens aromáticos para evitar o contágio.

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Fanatismo e Antissemitismo: A ira de Deus se tornou uma espécie de explicação corrente para epidemia. A arte da época representava a morte ou a própria doença com uma lança, a qual punia o homem por seus pecados. Os judeus, acusados de responsáveis pela morte de Cristo, foram alvos de perseguições e denúncias na época da peste, por serem considerados os culpados pela doença. Esse fato demonstra que o antissemitismo já existia antes de Hitler.

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Mapa do alastramento da Peste Negra na Europa, pelo ano de 1350.

A Guerra dos Cem Anos (1337-1453): Na verdade, foi uma disputa pela Coroa da França entre o sobrinho inglês e o primo francês do rei Carlos IV, da França, que morreu em 1328, sem deixar herdeiros diretos. Os conflitos medievais devem ser observados por uma lógica específica: não era a França contra a Inglaterra, mas nobres de ambas as regiões interessados no controle de terras e impostos. A guerra, marcada por uma série de reveses para ambos os lados, terminou em 1453, com a vitória dos franceses. Apesar do nome, a guerra não durou cem anos ininterruptos, existiram várias e longas pausas entre os tempos de conflito e guerra.

– Joana D’Arc: Vivendo em um pequeno vilarejo, uma pastora religiosa, pobre e virgem ouve vozes de santos dizendo que ela tinha uma missão divina: libertara França de uma guerra que já durava quase um século. Ela convenceu umnobre a levá-la à presençado rei, a quem revelou suamissão numa conversaa sós e ganhou dele umexército de 7 mil homens.Depois de muitas vitória se algumas derrotas, foi capturada pelo inimigo, acusada de bruxaria e queimada viva.

A Inquisição: Caracterizado por um grupo de instituições dentro do sistema jurídico da Igreja Católica Romana, cujo objetivo é combater o que era considerado como heresia. Começou no século XII na França para combater a propagação do sectarismo religioso, mas perdurou séculos. A partir da década de 1250, os inquisidores eram geralmente escolhidos entre os membros da Ordem Dominicana para substituir a prática anterior de utilizar o clero local como juízes. O termo Inquisição Medieval cobre os tribunais ao longo do século XIV. Desta forma, a Igreja Católica de mais outra forma se fez extremamente presente dentro do poder político.

A Centralização da Autoridade Real

Revoltas Camponesas: Os um mosaico: fome, peste e guerras que, para além da Guerra dos Cem Anos, resultaram nas revoltas camponesas, cuja principal motivação era a busca de comida. A mais famosa dessas revoltas é a Jacquerie, ocorrida na França, em 1358. O cenário era de completo desespero e insegurança. Vários feudos foram abandonados, com a população se refugiando nas cidades, palcos da autoridade monárquica.

Oportunidade Aproveitada: Cientes disso, os reis exploravam sua relação com essas cidades realizando grandes manifestações e cortejos, além de organizar os impostos de forma a garantir recursos financeiros cada vez mais necessários para driblar a crise generalizada.

Construção de um Exército Forte: Em meio ao caos, os reis começaram a organizar corpos
militares com enorme contingente de pessoas que lutavam por um soldo (pagamento), e não mais por simples laços de fidelidade aos moldes da nobreza medieval, enfraquecida. Nascia a noção de exército real, que funcionava como instrumento de pacificação, desarticulação de revoltas e controle de populações migratórias que fugiam da peste.

O Novo Monarca: Se até então o rei medieval era mais um nobre entre condes e duques, dependendo de seus vassalos para manter os domínios territoriais e em última instância sua própria autoridade, o novo monarca, que emergiu das ruínas do sistema feudal, fortaleceu-se graças a um exército fiel a ele e a uma burocracia (corpo de funcionários) que exercia autoridade em seu nome, disciplinando a sociedade num momento em que as estruturas de poder do feudalismo não estavam mais conseguindo impor a ordem.  Em outras palavras, a crise do feudalismo propiciou uma reordenação do poder político em favor da consolidação da autoridade hegemônica do rei.

Ascensão da Burguesia: A crescente centralização foi benéfica ao comércio burguês. A multiplicidade de moedas e sistemas de pesos e medidas entre os feudos era um obstáculo ao desenvolvimento das trocas mercantis. A centralização política era atrelada a uma centralização econômica que superava entraves intransponíveis para o comércio.  Com a intervenção do rei, isso se tornava possível.

A Nova Nobreza: Visando manter os privilégios habituais, como a isenção de impostos, vários senhores feudais preferiram se sujeitar ao monarca abrindo mão de seus direitos militares e judiciários. Os senhores mais próximos ao rei deram origem à uma nova nobreza, a de corte, que não mais guerreava, mas continuava mantendo privilégios. Os que não abdicaram em favor da centralização política, no final foram conquistados militarmente.

Estados Nacionais: Este processo de centralização política levará, décadas depois, à formação dos primeiros Estados-nação europeus.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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