História do Brasil

República Oligárquica: Movimentos Sociais

Nos movimentos sociais da República Oligárquica, serão encontrados vários grupos lutando por seus direitos ou reclamando por algo do qual discordavam. Para melhor entendimento, serão divididos os movimentos em rural e urbano. Ao fazer essa separação, é possível perceber que, em um mesmo meio, os problemas poderiam ser comuns.

A Guerra de Canudos (1896-1897)

Origem:  Canudos era o nome de uma fazenda abandonada no interior da Bahia, próxima ao rio Vaza-barris. Nesse local, nos idos de 1893, um grupo de sertanejos guiados por um homem que ficou conhecido como Antônio Conselheiro ali se estabeleceu.

Canudos, Região do Conflito.png

Antonio Conselheiro: Após a falência dos negócios de família, mudou-se para a Bahia, onde iniciou uma forte pregação religiosa pelo Sertão Baiano. A população pobre e miserável passou a enxergar nesse líder alguém que realmente pudesse mudar a suas vidas para melhor, até que tornou-se conhecido em todo o nordeste, até no Rio de Janeiro.

Resistência ao Coronelismo e a Fundação de Belo Monte:  Por suas andanças, eram comuns os conflitos de Antônio Conselheiro com os coronéis, afinal todos os trabalhadores paravam para escutar o que esse homem tinha para falar. Em 1893, Antônio Conselheiro liderou uma resistência contra a cobrança de impostos. O grupo se deslocou após o tumulto para uma fazenda na região de Canudos. Lá, construíram um arraial que passou a ser chamado Belo Monte.

Belo Monte:  O arraial funcionava de forma autônoma, produzindo o que precisavam, e os excedentes eram trocados com outras vilas e arraiais próximos. Possuíam as suas próprias regras e leis. Era, portanto, um local no sertão nordestino no qual os coronéis e a Igreja não impunham o seu poder. Antônio Conselheiro era um homem que muito criticava a República, e principalmente a separação do Estado da Igreja, portanto, é visto por muitos como um monarquista.

O Medo da Rebelião Geral: Belo monte não tinha aprovação da República, da igreja, das elites locais e, portanto, da imprensa. Todos temiam que Canudos se tornasse um exemplo para outras regiões e o caos se instaurasse.

Início do Conflito:  A gota d´água que deu início ao conflito foi a encomenda de material de construção em Juazeiro para a construção de uma igreja no Arraial. Toda a encomenda foi paga com antecedência, porém não foi entregue no prazo. Alguns jagunços do Arraial de Belo Monte ameaçaram ir buscar em Juazeiro. Essa notícia chegou a Juazeiro e a cidade, temendo uma invasão, mandou tropas para o Arraial.

Resistência: Após resistirem às investidas de três expedições e derrotarem o exército tantas vezes, a imagem de Prudente de Morais (1894-1898) era prejudicada, contestando o poder do exército, dos coronéis e da Igreja.

Derrota Cruel:  A fim de acabar definitivamente com o conflito, em 1897, uma quarta expedição contando com cerca de 10 mil homens deslocou-se para Canudos. O arraial ficou sob um cerco de quatro meses, e, após esse período, o arraial de Belo Monte foi completamente destruído. O objetivo era não deixar nenhum vestígio desse local, apagá-lo da história.

Guerra de Contestado (1912-1916)

Origem do Conflito:  Desde o período do Império, a região localizada nos limites do Paraná e de Santa Catarina era alvo de disputa entre os dois estados. Durante a República, os conflitos continuaram e a região permaneceu em disputa, ou seja, a região era contestada por paranaenses e catarinenses. O nome Contestado vem desse conflito.

Região do Contestado, Guerra do Contestado.png

Miséria e Fome no Contestado:  A situação da população não era boa, pois, desde o fim da construção da ferrovia que ligaria o Rio Grande do Sul a São Paulo, grande parte das pessoas ficou desempregada. Isso porque a empresa norte-americana Railway Company, responsável pela construção da ferrovia, mandou todos os trabalhadores embora após o término das obras. Muitas famílias foram obrigadas a abandonar suas terras porque a empresa com autorização do governo ganhou o direito de explorar a madeira da região.

Líder Religioso: Assim como em Canudos, o monge João Maria através de suas pregações tornou-se famoso e atraiu inúmeros seguidores.

Medo das Elites:  Ricos fazendeiros da região temiam as ideias do monge João Maria e também o poder que ele vinha angariando na região. Com objetivo de pôr fim a esta comunidade, os fazendeiros, com apoio da polícia, conseguiram expulsá-los do município de Taquaraçu.

Conflito Fronteiriço:  O monge João Maria e os seus seguidores se dirigiram para a região do Contestado, do lado paranaense. Esse deslocamento e ocupação significaram para as autoridades paranaenses uma invasão catarinense na região.

O Nascimento de um Mártir:  O resultado foi um conflito sangrento que terminou com a morte do Monge João Maria e a derrota das tropas paranaenses. Os seguidores do Monge continuaram a luta mesmo após a sua morte. Resolveram lutar por ele e defender o território em que o seu corpo foi enterrado. O movimento ganhou, assim, status político e a terra passou a ser considerada por eles como um território sagrado.

Fim Decisivo:  Em 1916, a terra foi dominada e os limites entre os dois estados foram demarcados. A área contestada foi dividida entre Santa Catarina e Paraná.

Cangaço

Origem e Conceito:  O cangaço foi um movimento ocorrido no sertão nordestino. Ganhou força no início da República e durou até 1940. Expandiu-se nessa região por conta da miséria, das péssimas condições de trabalho, da seca e, também, por causa da ação dos coronéis.

Cangaceiros:  O cangaço foi o nome dado aos bandos armados que andavam pelo Sertão nordestino. Eles assaltavam povoados, invadiam fazendas e, quando necessário, matavam as pessoas. Os integrantes desses grupos eram chamados de cangaceiros. Apesar de atuarem de forma independente, muitas vezes podiam servir aos coronéis.

Independência:  Os cangaceiros não lutavam contra o coronelismo e muito menos contra a miséria do sertão. Lutavam e roubavam para enriquecimento próprio. Participavam do cangaço por vários motivos. Os motivos mais comuns foram: por vingança – muitos tiveram suas famílias assassinadas a mando de coronéis; por terem perdido suas terras para coronéis ou a procura por melhores condições de vida.

O Papel da Mulher:  Nos bandos, a presença de mulheres era comum. Muitas estavam ali por opção, e não por obrigação. Elas preferiam a vida perigosa do Cangaço à exploração e ao duro trabalho nas fazendas do sertão nordestino.

Lampião:  O cangaceiro mais famoso desse movimento foi Lampião e a sua companheira, Maria Bonita. Liderou seu bando de 1922 a 1938, quando foi assassinado em uma emboscada.

Revolta da Vacina (1904)

Reurbanização Forçada:  A Revolta da Vacina aconteceu no Rio de Janeiro em função das várias medidas de reurbanização e saneamento tomadas pelo governo do presidente Rodrigues Alves (1902-1906). O problema foi que a reforma não beneficiava a população como um todo.

Justificativa Sanitária:  O governo afirmava que o foco das doenças que assolavam o Rio (tais como tuberculose, varíola e febre amarela) se espalhavam pela cidade por causa dos cortiços ocupados pelas camadas pobres. Daí a necessidade de demoli-los. Desalojadas, muitas pessoas, se deslocaram para as áreas afastadas do centro ou para os morros.

Revolta:  Sem as suas casas, longe de seus empregos por conta da mudança, sem oportunidades de trabalho e acusadas de ser as responsáveis pelas doenças, as camadas populares ficaram extremamente irritadas com o presidente Rodrigues Alves e também com o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Pereira Passos.

A Gota d’Água de Oswaldo Cruz:  Em 1904, a cidade do Rio passou por um grande surto de varíola. Assim, Rodrigues Alves decretou a vacinação obrigatória contra a doença. Sem uma campanha de conscientização, a população sentiu-se praticamente forçada a ser vacinada.

Agressão Cultural:  Além do fato de não entender como era a ação da vacina, o ato em si de vacinar ia contra os bons modos e costumes da época. Afinal, as mulheres tinham que expor partes dos seus corpos aos agentes sanitários, e tal atitude para pais e maridos era algo inadmissível.

A Revolta da Chibata (1910)

Origem do Conflito:  Após 11 anos da abolição da escravidão, castigos físicos para os negros ainda era utilizados. A Marinha brasileira utilizava-se desse recurso para punir os marinheiros negros que compunham o seu quadro de militares.

Insurreição:  A rebelião aconteceu após um castigo dado ao marinheiro Marcelino Rodrigues. Na frente de todos, foi castigado com 250 chibatadas. Revoltados, os marinheiros liderado por João Cândido, conhecido como o Almirante Negro, combinaram tomar os navios e atirar com canhões como forma de aviso. Exigiriam, assim, o fim dos castigos físicos na Marinha.

Tiro no Pé: Sem querer, os tiros de aviso mataram duas crianças e a opinião pública se voltou contra o movimento. O presidente Hermes da Fonseca decretou abolição dos castigos físicos e jurou que os revoltosos não seriam punidos. Na prática, os marujos foram traídos e presos.

A Greve Geral de 1917

Origem:  O movimento aconteceu em São Paulo e iniciou-se com greves locais em duas fábricas de tecidos nos bairros da Mooca e do Ipiranga. Daí o movimento se espalhou e chegou a atingir quase toda a classe de trabalhadores de São Paulo. Os operários buscavam mudanças imediatas, entre elas, melhorias nas condições de vida, de trabalho
e melhores salários.

Agentes Sociais Diferentes:  Esse movimento foi importante, pois marcou a história de luta dos operários no país. Ele foi possível pelos motivos seguintes: a presença dos imigrantes nas fábricas e a experiência deles em lutar por seus direitos políticos através da ideologia anarquista; e as próprias circunstâncias de trabalho que contribuíram para as manifestações: longas jornadas, péssimas condições, baixos salários, etc.

Repressão Cruel:  A Greve foi reprimida de forma violenta com invasões a sindicatos, prisões e mortes. As conquistas com essa greve foram pequenas, caso se levem em consideração as exigências.  Durante a República Oligárquica, qualquer problema com operário, tais como manifestações ou greves, era tratado como um problema da polícia. Muitos imigrantes não conseguiam empregos ou foram deportados. Entre patrões e operários não existia diálogo, e muito menos acordos.

Saldo Final Positivo:  Contudo, o operário no Brasil, após essa manifestação, ganhou força e expressão política. Os sindicatos tornaram-se mais coesos e puderam se organizar melhor.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

  1. Canudos HOJE – A Cidade Esquecida.

Filmes:

  • COIMBRA, Carlos. Lampião, o Rei do Cangaço. 1964.
  • LIMA, José Walter. Antonio Conselheiro – O Taumaturgo do Sertão. 2012.
  • REZENDE, Sérgio. Guerra de Canudos. 1997.
  • SILVA, Aguinaldo. Lampião e Maria Bonita (Minissérie). 1982.

 

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