História Geral

Roma Antiga – Da Monarquia ao Império

Roma Antiga foi uma civilização itálica que surgiu no século VIII a.C. Localizada ao longo do Mar Mediterrâneo e centrada na cidade de Roma, na Península Itálica, expandiu-se para se tornar um dos maiores impérios do mundo antigo, com uma estimativa de 50 a 90 milhões de habitantes (cerca de 20% da população global na época) e cobrindo 6,5 milhões de quilômetros quadrados no seu auge entre os séculos I e II.

Da Monarquia à República

Período Monárquico (VIII~VI a.C.):  A cidade de Roma, hoje capital da Itália, era – oito séculos antes de Cristo – importante entreposto comercial do Mar Tirreno, litoral oeste da Península Itálica. A região estava sob domínio dos etruscos, povo originário da Ásia que ocupava regiões que hoje seriam as cidades de Livorno e Firenze. Como a forma de governo era a monarquia, ou seja, estavam sob o comando de um rei – essa fase da história romana sob domínio etrusco é conhecida como o Período Monárquico (séculos VIII-VI a.C.).

O Mito da Fundação:  No caso de Roma, a lenda era de que os gêmeos Rômulo e Remo, filhos de uma mortal com o deus Marte, foram abandonados em um cesto no Rio Tibre. Ainda bebês, tinham pouquíssimas chances de sobreviver. Mas uma loba os resgatou, protegeu e amamentou, permitindo que crescessem saudáveis e fundassem a cidade de Roma em 753 a.C. Essa fundação heroica e cheia de drama contribuiu para a construção de uma identidade do povo romano. vários estados modernos, aliás, utilizaram-se dessa estratégia – uma narrativa mitológica de um passado glorioso – para consolidar sua identidade nacional.

Organização Social

a) Hierarquia Social – Patrícios: Os patrícios eram os proprietários das terras e exerciam o poder político na cidade, interpretando as ordens do rei por intermédio de uma instituição chamada Senado (outra contribuição para a política atual).

b) Hierarquia Social – Plebeus: Os plebeus desempenhavam diversas atividades, como comércio e artesanato, mas não tinham direitos políticos; aos escravos – obtidos por meio da guerra ou por endividamento – era destinado o trabalho agrícola.

c) Escravos: Os escravos eram adquiridos não somente por conquista militar, mas por vezes através do pagamento de dívidas (prática abolida depois da Lei Licínia).

Período Republicano (V~I a.C)

Insurreição Republicana: Em 509 a.C., os patrícios organizaram uma revolta contra o rei etrusco em nome da autonomia de Roma: liderando exércitos formados por seus subordinados, conseguiram estabelecer na cidade um novo regime, a república.

Renovação?: De maneira superficial, os romanos definiram a república como o governo de exclusão dos reis. Mas, em essência, o novo regime encerrava em seu significado o ideal de bem comum, de comunidade, de interesse público – do latim res publica, “coisa pública”. Contudo, não funcionou dessa forma. A instauração da república não trouxe qualquer resultado democrático, revelando-se um regime a favor dos interesses patrícios.

Tensões Sociais e Expansões

Revoltas Sociais: A disparidade existente entre o significado da palavra e o exercício da ideia republicana pelos patrícios estimulou reações quase imediatas dos plebeus. Em virtude das greves sociais que ameaçavam o funcionamento de Roma – a mão de obra plebeia era determinante para atividades como o comércio –, o Senado foi pressionado, e forçado a negociar em nome de uma maior participação política da plebe.

Tribunato da Plebe (494 a.C):  Tribunato da Plebe em 494 a.C., uma espécie de corpo de magistrados eleitos em assembleias populares que poderia vetar uma lei que prejudicasse os plebeus, além de propor iniciativas legislativas de atendimento às demandas da maior parte da população.

Limitação do Poder dos Mais Fortes: Através da criação e do sustento de leis, o poder ilimitado dos mais fortes, dos patrícios, passou a ser limitado cada vez mais, por leis como a Lei das 12 Tábuas e a Lei Licínia, que abolia a escravidão por dívidas.

Expansão Territorial e Guerras Púnicas (246~146 a.C.): As Guerras Púnicas constituíram um  longo conflito entre Roma e Cartago (região da atual Tunísia) pelo controle do Mediterrâneo. A vitória dos romanos garantiu enorme desenvolvimento econômico e comercial e o controle de milhares de escravos.

A Conquista da Península Itálica.jpg

Revoltas de Escravos: A superpopulação escrava explica a maior capacidade de mobilização desses grupos contra a exploração que sofriam, destacando-se a revolta liderada pelo escravo Spartacus no século I a.C.

A Crise da República e a Formação do Império

Plebeus vs. Patrícios:  Os plebeus que conseguiram enriquecer com o comércio, passaram a se mobilizar politicamente exigindo igualdade de direitos perante a elite patrícia. Prova disso é que, no turbulento período da gestão de Caio Graco como tribuno da plebe, eles organizaram uma espécie de partido conhecido como a Ordem Equestre, em oposição à Ordem Senatorial dos patrícios.

Júlio César, de General a Imperador:  Um famoso general romano, responsável por uma série de vitórias militares e grandes conquistas territoriais, recebia pleno apoio da Ordem Equestre: seu nome era Júlio César. Ele era identificado pela plebe como um símbolo de confronto e questionamento à hegemonia patrícia, e por isso era adorado pelo povo, mas temido pelos senadores, que pressionados por sua fama lhe concederam inúmeros títulos políticos, até que o tornaram ditador vitalício e cônsul.

Expansão Júlio César.png

Até tu, Brutus?: Em março de 44 a.C. César foi assassinado. A conspiração de senadores visava restaurar o antigo sistema da República Romana. Argumentavam que César tornara-se um tirano e que o Senado deveria recuperar sua legítima influência. Quando César foi ao teatro Pompeu, que era o local temporário de reunião do Senado, um dos senadores o esfaqueou no pescoço. Depois dele, vários senadores pegaram o punhal e desferiam golpes repetidos até que César viu seu afilhado Brutus prestes a apunhalá-lo e cobriu o rosto de vergonha antes de morrer

Instabilidade: Após a morte de Júlio César, Roma quase entrou em guerra civil. Para evitar o acontecimento, o sobrinho herdeiro de César e líder do exército, Otávio, assume o poder. Sem saída, o Senado o legitima como Imperador em 27 a.C. É o fim da República.

Apogeu e Crise do Império (27 a.C. ~ 476 d.C)

Imperador, Figura Máxima:  Assim, o imperador era a máxima autoridade legislativa, militar e judiciária – ou seja, não havia nenhuma instituição que limitasse seu poder.

Organização Social Censitária (Por Renda):  A sociedade imperial era dividida em ordens, seguindo um critério censitário (renda): a senatorial correspondia a uma nobreza com privilégios políticos; a equestre, formada essencialmente por comerciantes; e a inferior, correspondendo à maior parte da população. O Império combinava, assim, o apoio econômico da classe comercial e o apoio político dos antigos senadores, agora dependentes da proteção do imperador.

Panis Et Circenses:  A violenta disparidade social era controlada por uma política de distribuição de alimentos e grandes jogos organizados em espaços públicos: era a política do pão e circo. A massa escrava era reprimida pelo caráter militarista do Império Romano.

Pax Romana – O Fim do Expansionismo:  No século I, Roma pôs fim ao expansionismo (mediante uma espécie de lei conhecida como Pax Romana) e, em vez de simplesmente continuar crescendo, tentou consolidar suas fronteiras. Entretanto, uma economia que dependia da mão de obra escrava (que era obtida graças às conquistas expansionistas, agora paralisadas), um império gigantesco cujas fronteiras precisavam ser guarnecidas (e militares precisam ser abastecidos e alimentados), a corrupção na arrecadação de impostos entre outros, dariam início à crise de Roma.

Imperialismo: Diferentemente das pólis gregas, todas as cidades conquistadas eram consideradas colônias e seus cidadãos, considerados como romanos enquanto partilhassem de uma cultura em comum e falassem o latim.

Império Romano.jpg

A Divisão do Império

Reordenamento Territorial: Devido ao tamanho do Império Romano e a dificuldade em administrar todo o território, mudanças políticas  em nome da otimização administrativa foram necessárias, destacando-se a sua divisão em duas unidades autônomas em 395 O Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e o Império Romano do Oriente, com sede em Bizâncio (mais tarde, Constantinopla, atual Istambul, na Turquia).

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Os Povos Bárbaros: A causa fundamental da “morte natural” do Império Romano está relacionada aos povos germânicos (que habitavam a região da germania), entendidos pelos romanos como bárbaros, pois não falavam latim e tinham outros valores culturais. Entretanto, estes povos tinham organização política, conhecimentos agrícolas e militares. Os principais, neste momento, são:

  1. Anglo-saxõesMigraram da Alemanha e da Dinamarca para a Inglaterra no século V.
  2. Hunos: Criaram um vasto Império no século V. O líder Átila invadiu duas vezes o Império Romano do Oriente, devastou os Bálcãs, avançou pelo sul até a Grécia e pilhou a Itália.
  3. Francos: Os francos controlaram a Europa Central até o século VIII, quando o poder de seu Império foi dividido em vários reinos, que originariam nações como a França.
  4. Visigodos: Os visigodos, que ocuparam a Península Ibérica, foram destruídos pelos muçulmanos que invadiram a Europa no século VIII.
  5. Vândalos: Em 429, partiram para o norte da África e criaram um reino na Tunísia e na Argélia.

Invasões Bárbaras:   Esses povos já comercializavam com o Império Romano, mas eram proibidos de ocupar suas fronteiras. Entretanto, diante da necessidade de estimular a produção de alimentos – haja vista a da falta de mão de obra escrava, consequência da Pax Romana – as autoridades romanas foram liberando gradualmente aos germanos lotes de terras do próprio Império. A presença cada vez maior desses povos tornava as terras arrendadas pequenas demais para tanta gente. A pressão demográfica era insuportável. Daí o início de uma série de saques e ataques às cidades romanas.

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Crise Econômica:  O comércio foi prejudicado devido à instabilidade social. A incapacidade do Estado romano em garantir a segurança provocou o esvaziamento das cidades, alvos preferenciais dos ataques bárbaros que culminaram com a dissolução do Império. A Europa se ruralizava.

O Fim do Império:  Em 476, Odoacro, chefe dos hérulos, conquistou Roma, derrubando o último imperador, Rômulo Augusto. Na prática, o Império já se encontrava fragmentado em reinos bárbaros. Era o início da Idade Média.

Invasões Bárbaras.png


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

Vídeos:

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