História do Brasil

República Oligárquica: Economia e Sociedade

A Belle Époque foi um período de cultura cosmopolita na história da Europa que começou no fim do século XIX (1871) e durou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, tendo passagem pelo Brasil. A expressão também designa o clima intelectual e artístico do período em questão. Foi uma época marcada por profundas transformações culturais que se traduziram em novos modos de pensar e viver o cotidiano. Foi considerada uma era de ouro da beleza, inovação e paz entre os países europeus. Novas invenções tornavam a vida mais fácil em todos os níveis sociais, e a cena cultural estava em efervescência: cabarés, o cancan, e o cinema haviam nascido, e a arte tomava novas formas com o Impressionismo e a Art Nouveau. Além disso “Belle Époque” foi representada por uma cultura urbana de divertimento incentivada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte , que aproximou ainda mais as principais cidades do planeta.

A Economia no Período da República Oligárquica

Eixo Econômico: O centro econômico brasileiro está completamente centrado no sudeste, principalmente no estado de São Paulo, devido à produção de café.

Sucesso do Oeste Paulista: O sucesso do Oeste paulista deveu-se à organização dos latifundiários da região, pois possuíam uma mentalidade mais capitalista e, portanto, mais moderna, utilizando-se de técnicas mais avançadas do uso do solo e do trabalho dos imigrantes.

Café, Poder e Investimento Estrangeiro: O Estado governava levando em consideração os interesses dos cafeicultores paulistas, mas nem sempre era possível. Como o país dependia de investimentos estrangeiros e possuía dívidas extremas, muitas vezes tinha que agradar aos investidores em vez dos cafeicultores. Quando isso acontecia, conflitos entre a elite paulista e o governo eram frequentes.

Crise Econômica e Funding Loan: O Brasil conseguiu um empréstimo, em 1898, com o banco inglês Rothchild a fim de recuperar a economia brasileira, já que se encontrava extremamente abalada por conta da política do Encilhamento. Com esse empréstimo, o Brasil renegociou a sua dívida e não pagaria as parcelas dele até 1911. Assim, a economia brasileira ganhou fôlego para se recuperar. Em outras palavras, o país estava adiando o pagamento da dívida, mas iria pagá-la.

A Garantia dos Ingleses: Para garantir o pagamento, os ingleses impuseram condições, tais como  diminuir o dinheiro em circulação; aumentar os impostos; cortar os gastos públicos; o dinheiro arrecadado com as tarifas alfandegárias seria usado como garantia para futuros empréstimos.

Crise do Café: No governo de Rodrigues Alves (1902-1906), a crise econômica ainda era presente, principalmente, porque os preços do café no mercado internacional não eram favoráveis para o Brasil. Além disso, as nossas safras batiam recordes, consequentemente o preço de venda do café era muito baixo e o lucro menor ainda. Desesperados, os cafeicultores pediam intervenção estatal.

O Convênio de Taubaté: Por ele ficou estabelecido que o governo se comprometeria a comprar as sacas em excesso. Assim, reduziria a oferta do produto no mercado, o preço ficaria competitivo e os cafeicultores garantiriam o lucro.

– Problema do Convênio:  Pelo acordo, o governo deveria armazenar o produto e revender em momentos de maior demanda. O problema é que para comprar todas essas sacas dos cafeicultores, o governo precisou pegar mais dinheiro emprestado com os bancos estrangeiros. Ou seja, o convênio aumentaria a dívida brasileira que ainda nem tinha começado a ser paga.

– Os Cafés Europeus: Eram nos cafés europeus que políticos, artistas e intelectuais encontravam-se, especialmente em Paris, Londres e Budapeste. Os cafés passaram a ter características de ponto de encontro político e apresentavam decorações muito suntuosas. Em alguns, o interior pode ser comparado aos luxuosos palácios da nobreza europeia.

Outros Setores Econômicos

Economia Diversificada: O Brasil não dependia apenas do café. Embora fosse seu principal produto de exportação, ainda existiam outros produtos agropecuários que eram influentes na economia brasileira.

a) Charque: Esse tipo de carne ressecada era muito produzido pelos estancieiros, grandes latifundiários do Rio Grande do Sul.  Esse produto continuava a abastecer o mercado interno. Os grandes estancieiros lutavam por privilégios políticos.

b) Algodão:  Era uma importante matéria-prima para as indústrias têxteis que cresciam na região. No período da Primeira Guerra, ganhou bastante destaque na economia, uma vez que os países exportadores, envolvidos na Guerra, não tinham como participar desse comércio, afinal as preocupações na Europa eram outras.

c) Cacau: Com o crescimento do consumo do chocolate pelo mundo, os grandes latifundiários da Bahia assistiram ao crescimento da produção de cacau. Esse produto chegou a ocupar um lugar de destaque nas exportações brasileiras.

d) Cana-de-Açúcar:  Desde o Período Colonial, a cana-de-açúcar não deixou de ser cultivada nos engenhos nordestinos. Com a atividade mineradora, perdeu espaço, bem como com a plantação de café. Mas, nos dois momentos, ocupava o segundo lugar na lista dos produtos exportados.

e) Borracha:  No final do século XIX, por volta de 1880, a borracha ganhou destaque nas exportações, uma vez que o mundo diante da Segunda Revolução Industrial buscava por tal produto. A Amazônia, que até então na economia brasileira, aparecia apenas como região produtora das drogas do sertão, ganhou importância e encontrou o seu momento de esplendor.

– A Questão do Acre: No auge da exploração da borracha, vários seringalistas invadiram o Acre boliviano, o que acabou provocando desentendimentos entre Brasil e Bolívia.  Esses problemas fronteiriços ficaram conhecidos como Questão do Acre, e a definição das fronteiras foi acertada, em 1903, com a assinatura do Tratado de  Petrópolis. Por ele, o Brasil comprou o Acre por 2 milhões de libras e assumiu a responsabilidade da construção de uma ferrovia que ligaria a Bolívia à cidade de Belém.

A Industrialização no Brasil

Crescimento Industrial Paulista:  Após a Proclamação da República, o estado de São Paulo assistiu a um crescimento industrial. Isso ocorreu na região porque ela reunia condições favoráveis: concentração de capitais, grande presença de imigrantes e investimentos em ferrovias que permitiram a integração entre algumas regiões. As demais fábricas eram dos fazendeiros que investiam o seu dinheiro em outros setores.

Dependência Estrangeira:  Apesar dos avanços no setor industrial, o país não investiu nas indústrias de base (aço, ferro, cimento, entre outras). Dessa maneira, a dependência das importações era mantida.

Primeira Guerra Mundial e Desenvolvimento:  Com a Primeira Guerra, o Brasil precisou se desenvolver, pois, como já foi dito, os países exportadores envolvidos tinham outras prioridades. Algumas fábricas começam a surgir. Mesmo com esse crescimento, é importante salientar que os investimentos nas indústrias de base eram pequenos. Os setores que mais se estacaram na República Velha foram o têxtil, o alimentício e o de vestuário.

Crescimento Limitado: É fundamental evidenciar que a prioridade do governo era o setor agroexportador; as indústrias receberam atenção, mas a prioridade era o café.

A Sociedade na República Oligárquica

Desenvolvimento Urbano:  O Brasil permaneceu um país agrário, em que a maior parte da população se concentrava nas zonas rurais. As cidades começaram a se urbanizar e tornaram-se centros receptores de mão de obra. Contudo, não possuíam infraestrutura para receber todos que para elas migravam.

  • Camadas Urbanas:  Nas cidades, destacam-se as camadas médias urbanas, representadas por um grupo bem diversificado, formado por artesãos, pequenos comerciantes, funcionários do governo, profissionais liberais, etc.

Problemas Urbanos: As cidades brasileiras, no início do século XX, enfrentavam graves problemas urbanos: alto crescimento demográfico, falta de um sistema de rede de esgoto, abastecimento de água ineficiente, as ruas malcheirosas e grande parte da população vivia em cortiços. Era necessário, portanto, intervenções e planos de modernização para essas cidades.

– Desenvolvimento Capitalista: Em grande medida, os governantes utilizaram como desculpa a modernização para promover um avanço considerável do capitalismo no Brasil.  É importante ressaltar que o governo preocupava-se em melhorar a imagem da cidade, mas isso não significou melhorar a vida das pessoas desfavorecidas que nela viviam.

A Configuração das Elites:  Na sociedade brasileira, a elite se dividia entre o meio rural e o meio urbano. No alto da pirâmide, destacavam-se os latifundiários. Além de concentrar o poder econômico, eram responsáveis pelas decisões políticas do país.  Na maior parte das vezes, o industrial da cidade era o fazendeiro poderoso do meio rural.

Migração:  A principal atividade econômica do Brasil, como já foi dito, era a agricultura, de modo que a maior parte da população brasileira concentrava-se em meio rural. Fenômeno muito comum a esse contingente era a migração, que poderia acontecer de duas formas:

  1. – Entre Regiões:  um exemplo notável é o deslocamento de muitos nordestinos dos seus estados para a região da Amazônia, no momento da expansão da borracha.
  2. – Do Campo para a Cidade:  Os latifundiários eram os proprietários das terras e os trabalhadores entravam com a mão de obra. A cidade representava uma solução para a falta de oportunidades.

Coronelismo Urbano?:  Os coronéis não conseguiam exercer nas cidades o mesmo controle que detinham no meio rural, mas mesmo reduzido, ele existia. Afinal grande parte do comércio e das atividades desenvolvidas nas cidades era fruto de seus investimentos.

Os Imigrantes:  Entre os trabalhadores urbanos, é importante destacar o papel dos imigrantes. Muitos deles, com as suas economias, montaram pequenas fábricas, conseguindo crescer e se estabelecer, principalmente em São Paulo.

Classe Operária: Contudo, a maior parte dos imigrantes compunha a classe operária.  A presença dos imigrantes entre os trabalhadores urbanos propiciou uma ideia de organização e consciência de classe que até então não existia no Brasil, principalmente através de ideologias europeias que vieram junto com os imigrantes.

Segregação Social:  Após a abolição da escravidão, os negros alforriados não foram inseridos na sociedade. Na prática, não existiram políticas de integração dos negros à sociedade, ou seja, não tiveram acesso à educação, bons empregos e moradia. Além disso tudo, sofriam com um problema social presente até hoje, o preconceito.

Opressão de Gênero:  A mulher era vista como um ser frágil e que precisava ser guiada por alguém, no caso a figura masculina, pai, irmão ou marido. Porém,  entre as camadas menos favorecidas, nas cidades ou no meio rural, encontramos uma grande presença das mulheres em fábricas e nas lavouras. Nas casas onde os pais ou maridos conseguiam sustentar a família, as mulheres não trabalhavam. Suas obrigações eram domésticas: cuidavam da casa e dos filhos. As filhas eram educadas para casar e constituir família.

República Sim! Democracia? Não…:  O regime republicano não democratizou a sociedade ou possibilitou melhores condições de vida, mobilidade e integração social. Percebe-se nos primeiros anos da República a permanência das antigas estruturas dos Períodos Colonial e Imperial do Brasil.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

  1. 10 canções essenciais para entender o samba.
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