História do Brasil

República Oligárquica: Coronelismo

O coronelismo é prática de cunho político-social, própria do meio rural e das pequenas cidades do interior, que floresceu durante a Primeira República 1889-1930 e que configura uma forma de mandonismo em que uma elite, encarnada emblematicamente pelo proprietário rural, controla os meios de produção, detendo o poder econômico, social e político local.

Partidos Republicanos

Escoamento: Os membros dos partidos Liberal e Conservador, da época imperial, escoaram todos para os partidos republicanos que surgiram com a proclamação da República. Normalmente, estes partidos começavam com P (Partido) R (Republicano) e a letra do estado que representavam. Por Exemplo:

  • PRP – Partido Republicano Paulista: Formado pela elite cafeicultura do estado, defendia interesses próprios e clamava maior autonomia política provincial.
  • PRM – Partido Republicano Mineiro: Formado por pessoas ligadas ao setor agrário, sendo o maior colégio eleitoral do Brasil.
  • PRR – Partido Republicano Rio Grande do Sul: Formados pelos estancieiros gaúchos que defendiam interesses da produção de charque e benefícios para a região.

– Elites Influentes: Por terem como líderes as elites latifundiárias, estes partidos, assim como outros semelhantes, passaram a criar mecanismos de controle e manipulação eleitoral.

Eleições Separadas: O Presidente e o Vice eram eleitos em eleições separadas e saíam vitoriosos os que tivessem a maioria absoluta dos votos. Isso permitiu situações nas quais o presidente era de um partido e o vice, de outro.

Governo de Campos Salles (1898-1902)

Cédulas de Voto: O voto era realizado por meio de cédulas, ou papéis comuns. O problema é que muitas destas poderiam ser recortadas dos jornais ou que os eleitores já recebessem uma preenchida. Dessa forma, falsificar o resultado era tarefa simples, mesmo após 1904 onde os eleitores assinavam duas cédulas de voto (a da urna e a que ficava com ele).

Política dos Governadores: Criada por Campos Salles para garantir os interesses das elites. Era um pacto não escrito entre os governos estaduais e federal no qual os governadores se comprometiam a ajudar nas eleições de deputados e senadores para que estes fossem uma base de apoio ao presidente. Em troca, o presidente ofereceria ajuda financeira aos estados.

Coronéis: Este grupo social regional era muito importante para o período, pois eles garantiam por meio dos eleitores a eleição dos governadores e dos deputados que apoiariam o Presidente da República.

Comissão Verificadora de Poderes: Mesmo com todo o controle, essa comissão ainda foi criada como um instrumento para acusar fraude na eleição de um candidato governador da oposição.

O Governo de Hermes da Fonseca (1910-1914)

Militares no Poder, Fim das Elites?: O Marechal desejava moralizar e “salvar” as instituições republicanas que, para ele, estavam corrompidas pelos interesses particulares das famílias que governavam os estados brasileiros.

Política das Salvações: Criada nesse governo, representou um importante mecanismo de controle e manipulação dos interesses políticos. Basicamente, Hermes da Fonseca promoveu a troca dos presidentes dos estados (governadores) para militares ou pessoas partidárias de seu governo.

Resistência:  Apesar de muitas oligarquias derrubadas no norte/nordeste, as famílias oligárquicas tinham interesses em comum e uniram-se para resistir contra a política das salvações.

Mudanças?: Percebe-se apenas uma substituição de oligarquias, na medida em que as oligarquias tradicionais persistiram e, assim, os interesses particulares também. O governo de Hermes da Fonseca sai enfraquecido.

Coronéis e a Política do Coronelismo

Origem: No período das Regências, ainda no Império, o governo do Rio de Janeiro criou a Guarda Nacional, inspirada na antiga Guarda da Revolução Francesa. Para formar a guarda, eram distribuídos títulos de coronel para os que se destacavam nas províncias do Brasil. Os escolhidos eram latifundiários que representavam o poder local.

Poder Latifundiário: O objetivo dos coronéis era garantir uma rede de apoio político e militar para o governo central pelo Brasil. Através do recrutamento, esses latifundiários formaram milícias e tornaram-se o poder local de fato.

Papel do Coronel: Essa figura era fundamental na Política dos Governadores, pois representava o elo necessário entre o governador e os eleitores. Ou seja, os coronéis controlavam e manipulavam os eleitores na sua região de acordo com que era conveniente para o governador.

Voto de Cabresto: Votos eram trocados por sapatos, empregos, roupas, tijolos, etc. Esse tipo de voto arranjado e praticamente obrigatório, pois por vezes os eleitores eram ameaçados fisicamente, ficou conhecido como voto de cabresto.

Clientelismo: O coronelismo pode ser visto como uma relação política de clientelismo, pois ocorriam inúmeras doação de benefícios em troca de apoio político, figurando o eleitor como um cliente.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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