História Geral

Primeira Guerra Mundial – Antecedentes

Vários problemas atingiam as principais nações européias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra.

Imperialismo

Conceito:  A Europa do final do século XIX e início do XX era um continente com países em grande desenvolvimento industrial, porém com graus diferentes, ou seja, uns mais desenvolvidos do que outros. Essa situação provocava entre eles uma disputa acirrada por matéria-prima e mercados consumidores, pois dependiam disso para crescer. Era o imperialismo.

Interesse Europeu:  O imperialismo pode ser considerado um dos motivadores para o conflito, pois, para aumentar a venda dos produtos industrializados, era necessário garantir mercado consumidor, não só na Europa, como na África e na Ásia. Por isso, havia preocupação e interesse europeu nesses dois continentes.

Imperialismo

Manobra Alemã:  A Alemanha, após a sua unificação em 1871, conseguiu se desenvolver industrialmente e passou a precisar cada vez mais de mercado consumidor para consolidar a sua economia e se firmar como uma grande potência na Europa. Na África, a Alemanha possuía territórios, porém não eram regiões que poderiam levá-la a um grande desenvolvimento. Por conta disso, o governo alemão voltou os seus interesses para a Europa Central e para a região dos Bálcãs. A ideia era diminuir a influência inglesa na região e, assim, ocupar o lugar dos ingleses.  O crescimento alemão desagradava aos ingleses, pois ameaçava a sua hegemonia no continente europeu.

Conflitos e Rivalidades Europeias até 1914

Hegemonia Ameaçada: Embora a Inglaterra fosse responsável por mais da metade do total de capitais investidos em várias partes do mundo, constituindo o maior império colonial e militar desse período, sua hegemonia era ameaçada pelo contínuo crescimento de outras potências, como Estados Unidos e Alemanha. Ainda, a hegemonia era ameaçada por outros países que exigiam a redivisão imperialista das colônias africanas e asiáticas, bem como das minorias nacionais europeias que baseavam-se na unificação italiana e alemã para lutar em seus próprios processos de unificação.

Paz Armada:  No final do século XIX e início do XX, não existia conflito ou guerra declarado, mas um movimento armamentista entre as principais potências europeias, promovendo o crescimento da indústria bélica. Esse momento é chamado de “Paz Armada”. A disputa por territórios, mercado consumidor, matéria-prima e influência levou as principais economias europeias no início do século XX a não pouparem esforços para alcançar seus objetivos; para tanto, passaram a anexar territórios, a investir em indústrias de armas e a fazer alianças.

a) Inglaterra vs. Alemanha: O desenvolvimento industrial, comercial, naval e colonial da Alemanha ameaçava a hegemonia inglesa, obrigando o fim da política britânica de isolamento em relação aos conflitos europeus.

b) França vs. Alemanha: Conflitos extensos com início muito distante no tempo, intensificados de vez com a guerra Franco-Prussiana  que resultou na derrota da França na Batalha de Sedan (1870) e a perda da Alsácia e Lorena para o Império Alemão.

c) Império Austro-Húngaro vs. Rússia: A política czarista da Rússia após a derrota para o Japão e o estado de revolta interna em 1905 se volta para a região dos Bálcãs, promovendo o Expansionismo Russo através da doutrina do pan-eslavismo.

d) Alemanha vs. Rússia: A questão central era o controle dos estreitos de Bósforo e Dardanelos. O expansionismo russo entrava em conflito com o imperialismo alemão em direção ao Oriente Médio pela ferrovia Berlim-Bagdá. É o choque entre o pan-germanismo e o pan-eslavismo.

e) Império Austro-Húngaro vs. Sérvia: A Sérvia cobiçava a região da Bósnia-Herzegovina e fomentava movimentos nacionalistas anti-austríacos, pois os povos dessa região lutavam por independência.

f) A Questão Marroquina (1904): As disputas imperialistas sobre o norte da África resultaram na Convenção de Madri, em 1880, que definiu uma “política de porta aberta” para o Marrocos, regulando os direitos de exploração da região para os franceses, alemães e britânicos. As três potências entraram em conflito e disputa pelo controle da região, que terminou com a predominância francesa.Entretanto, novos conflitos fizeram a Alemanha ceder o Marrocos, mas ganhar o Congo, região francesa, que não admitiu jamais a cessão territorial.

g) A Questão Balcânica: A disputa pelos Bálcãs iniciou-se no final do século XIX com o desmembramento do Império Turco-Otomano, em rápida desagregação. Os russos defendiam através do pan-eslavismo a liberdade dos povos, mirando no apoio dos mesmos. Entretanto, a Rússia enfrentou resistência alemã que desejava a ferrovia Berlim-Bagdá para acesso às áreas petrolíferas. O ideal de unificação eslava, encabeçado pela sérvia tornou-se distante quando as regiões essenciais da Bósnia e Herzegovina foram anexadas pelo Império Austro-Húngaro, fomentando rivalidades entre estes países.

Europa Pré-WWI.jpg

III) A Política das Alianças:

a) Unificações Tardias: Os processos de unificação nacional da Alemanha e da Itália se deram de forma “tardia”, perante os outros países da Europa, o que prejudicou os dois países no processo de partilha imperialista da África.

b) Liga dos Três Imperadores (1873): Bismarck criou a liga a qual faziam parte Alemanha, o Império Austro-Húngaro e a Rússia, principalmente para conter o revanchismo francês. Entretanto, as divergências entre a Rússia e o Império Austro-Húngaro por conta da região dos Bálcãs (a Rússia apoiava os povos eslavos através do pan-eslavismo) ocasionaram o fim da aliança em 1872.

– Doutrina do Pan-Eslavismo: Doutrina que justificava o expansionismo russo para o ocidente que classificava a Rússia como “Grane Irmã Eslava” no direito e o dever de “proteger” as pequenas nações eslavas dos Bálcãs. Isso desestabilizaria o Império Austro-Húngaro.

c) Tríplice Aliança (1882): Surge então uma nova aliança que une os países emergentes como a Alemanha, o Império-Austro Húngaro e a Itália.

d) Tríplice Entente (1904): Assinatura do tratado Entente Cordiale (entendimento cordial), aproximando a França da Inglaterra, diplomaticamente. A França sai do isolamento político e se une à Inglaterra face ao desenvolvimento econômico alemão. A partir de então as rivalidades franco-inglesas foram esquecidas para ambos enfrentarem o sucesso econômico alemão e seu exaltado nacionalismo. Posteriormente, a Rússia une-se ao acordo com esperança de crescimento econômico e forma-se a tríplice entente.

Alianças na Europa Pré-Guerra.jpg


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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