História do Brasil

O Governo de Costa e Silva (1967-1969)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

– Chico Buarque

Arthur da Costa e Silva (1967-1969)

Aumento da Repressão: A Repressão aumentou de acordo com a intensificação de movimentos contrários ao autoritarismo do regime, desde membros da alta hierarquia católica como Dom Hélder Câmara (ironicamente um integralista dos anos 30) até a UNE.

Ondas Revolucionárias de 1968: Não foi só no Brasil onde os movimentos revolucionários se intensificaram, mas no mundo que via o auge da Guerra Fria na corrida ao espaço. A juventude francesa se levantou no Maio de 68 francês, o movimento Hippie nos Estados Unidos e movimentos pró-meio ambiente, são exemplos de como era o paradigma mundial.

Contexto de Contestação ao Regime Militar: Houve aumento considerável da produção intelectual de esquerda nos círculos universitários, estimulados pelos Centros Populares de Cultura (CPC’s), a UNE e da MPB.

Luta Armada: Inúmeros grupos se formaram, como a Aliança Libertadora Nacional, a Açã Popular e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), que divergiam do “Partidão” Comunista Brasileiro e foram cooptados por outra seção que nasceu do PCB, o PCdoB, adeptos da guerrilha campesina nesse momento.

Passeata dos Cem Mil: Organizada pela UNE no Rio d Janeiro em 68, a passeata é uma clara expressão popular de descontentamento com o regime, seguidas por greves operárias em Osasco, que deram esperanças claras de derrubar o autoritarismo.

Tropicalismo: Parte da cultura brasileira expressa esse sentimento de indignação, pelo movimento artístico conhecido como Tropicalismo. Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou oCinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de “Tropicália”.

Resposta: Grupos paramilitares financiados pelo Estado e pela elite conservadora começaram a atacar estes grupos de oposição, como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e o Movimento Anticomunista, por exemplo. Esses conflitos civis conturbavam a ordem e foram tudo o que o Estado precisava para assumir medidas mais drásticas.

O Golpe dentro do Golpe: A oposição ao regime já se manifestava inclusive no Congresso e nos partidos políticos MDB e ARENA. A ala “linha dura” do regime cobrava do governo de Costa e Silva posicionamento político, que foi respondido com um novo Ato Institucional, o AI-5, o mais brutal e repressor de todos, que marca o início dos anos de chumbo e o período que ficou conhecido como “o golpe dentro do golpe”. Vejamos as resoluções do AI-5:

  1. O presidente passa a intervir diretamente em estados e municípios.
  2. O presidente tem restauradas as prerrogativas de cassar políticos e fechar o Congresso quando fosse necessário garantir a ordem.
  3. Suspensão do habeas corpus político.
  4. Censura prévia dos meios de comunicação com o uso de censores nas redações dos principais jornais, revistas e emissoras televisivas.

Fim Prematuro: Embora Costa e Silva tenha iniciado os tempos mais repressores da ditadura, não viveu para vê-la transformar-se num monstro ainda maior, pois sofreu em 1969 um derrame cerebral e foi afastado do cargo. Como o vice era um civil, os militares organizaram uma Junta Militar enquanto não ocorriam novas eleições, temendo uma súbita reabertura política. Quando as eleições aconteceram, surgiu o eleito Emílio Garrastazu Médici.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

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