História da América

O Processo de Independência das Colônias Hispânicas

Com o triunfo do liberalismo, o imperialismo e a efervescência nacionalista e socialista na Europa, este progresso também teve reflexos nas Américas no século XIX, seguindo as peculiaridades históricas regionais.

Contexto Histórico

Desenvolvimento do Capitalismo: Na passagem do século XVIII para o XIX, com o declínio do Antigo Regime, o liberalismo político e econômico forneceu a base ideológica para a superação definitiva dos entraves que barravam o progresso capitalista. Os EUA tornaram-se independentes, mas as colônias continuavam na mesma situação. Isto dificultava o avanço do capitalismo nestas áreas, pois o capitalismo precisa cada vez mais de um mercado consumidor maior.

Colonização Efetiva: Conquistadas e colonizadas por europeus, as Américas exerceram e continuaram exercendo um decisivo papel no desenvolvimento capitalista ocidental, especialmente com o crescente e volumoso comércio transatlântico e, mais tarde, entre o norte e o sul do próprio continente americano.

Independência: As independências políticas latino-americanas não resultaram em desenvolvimento socioeconômico autônomo, e sim em dependência em relação aos centros dinâmicos do capitalismo, especialmente Inglaterra, no início, e Estados Unidos, a seguir.

“A Polícia do Mundo”: No final do século XIX, esse país, já então poderoso economicamente e acompanhando o expansionismo imperialista europeu, impôs seu controle geopolítico sobre boa parte dos assuntos americanos, processo que se completaria no início do século seguinte.

Independências

Estopim: Em represália à não obediência do bloqueio continental, as tropas napoleônicas invadiram Portugal e ocuparam a Espanha, desencadeando o processo de independência da América Latina.

Os Criollos: Membros das elites hispano-americanas que desejavam romper com a metrópole monopolista, que lhes dificultava as transações mercantis, sobretudo com a Inglaterra, principal pólo econômico do mundo.

Inglaterra: Se interessava pelas independências, pois acabaria com entraves monopolistas de comércio e ativaria novos mercados para seu progresso industrial. Deram todo apoio aos colonos após a derrota de Napoleão em 1815, o que ajudou o enfraquecimento dos laços coloniais.

Doutrina Monroe: “A América para os Americanos”, doutrina estadunidense, também ajudou a consolidar as independências latino-americanas, ao apoiar a guerra de libertação dos criollos.

Os Chapetones: Grupo minoritário da América espanhola composto por espanhóis nascidos na metrópole detinham os mais altos cargos da administração colonial e confrontaram-se com a elite local, pois desejavam a manutenção das relações metrópole-colônia, contrários à separação.

Rebeliões: Motins e revoltas espalharam-se pela América espanhola, com a proliferação de vários projetos de independência. Destacam-se as rebeliões de Túpac Amaru (1780), no Vice-Reinado do Peru e o movimento comunero (1871), no Vice-Reinado de Nova Granada.

A Rebelião de Túpac Amaru

Trabalhos Escravos: Os nativos ainda eram submetidos à mita e à encomenda, subordinando os indígenas e habitantes locais ao trabalho forçado e obediência cristã. Os espanhóis, em troca de favorecimento indígena, utilizavam os caciques para controlar a maioria dos indígenas e mantê-los subordinados.

Túpac Amaru: Contra tributações determinadas pela metrópole que se iniciou a revolta de José Gabriel Condorcanqui Noguera, cacique que dizia descender de Túpac Amaru, líder Inca do século XVI que resistiu à conquista espanhola. Túpac Amaru II, como ele se denominava, estudou em universidades eclesiásticas e foi fortemente influenciado por ideais liberais. Obteve apoio dos criollos contra as autoridades metropolitanas.

Estopim: Enforcaram um chapetone, dando início à revolta em 1780, se irradiando por várias regiões. Túpac Amaru tinha apoio de dezenas de milhares de indígenas, mestiços, escravos e de alguns colonos empobrecidos, chegando a decidir pela completa abolição das obrigações de sujeição e trabalho.

Radicalização: Colocando em risco toda a ordem colonial, Túpac Amaru causou o descontentamento e oposição da elite criolla e alguns caciques. Foi preso e assassinado.

Movimento Comunero (1781)

Nova Granada: Aumento da coleta de impostos exigido pela Coroa resultou em protestos amplos e violentos, envolvendo criollos, mestiços e indígenas, com os mesmos trabalhos escravos, mita e encomenda.

1781: Comerciantes locais e até mesmo aristocratas proclamaram uma junta de governo chamada El Común, destacando-se a atuação do criollo Juan Francisco de Berbeo, o general. Mas foi o mestiço José Antonio de Galán, capitão subordinado, que conquistou o povo e o chamou à luta.

Radicalização: O mesmo processo de radicalização aconteceu, afastando a elite criolla que se uniu às forças repressivas da metrópole, sufocando a revolta e assassinando os líderes do movimento comunero.

As Guerras de Independência

Contexto Histórico: O enfraquecimento da metrópole espanhola com a intervenção napoleônica e as renúncias sucessivas dos reis da família Bourbon, Carlos IV e Fernando VII, e a coroação do irmão do imperador francês, José Bonaparte, estimularam o movimento autonomista liderado pelos criollos.

Movimento Colonial Inicial: Organizados em cabildos (câmaras municipais), os colonos formaram juntas governativas, depondo as autoridades metropolitanas e assumindo a administração das colônias. Entre 1810 e 1814, os centros urbanos coloniais hispano-americanos transformaram-se em grandes irradiadores dos ideais separatistas, contando com o aopio inglês e a adesão de parte da população.

Reação Metropolitana: A restauração da dinastia Bourbon na Espanha (1814) e a aliança entre Espanha e Inglaterra, nas lutas contra Napoleão permitiram que os espanhóis reorganizassem a repressão aos movimentos separatistas, que, sem a ajuda inglesa, acabaram derrotados.

Reação Colonial: Entre 1817 e 1825 revoluções aconteceram em todos os lugares da América Latina, influenciadas e lideradas principalmente por Simón Bolívas e José de San Martín, com o apoio efetivo da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Guerras de Independência: De forma geral, todos os processos de independência foram dentro de duras batalhas e guerras pela liberdade colonial. Algumas independências foram carregadas ideologicamente de maneira mais radical do que outras, como, por exemplo, a mexicana, que queria plena igualdade social e política entre todos os habitantes. O final de todas elas foi, de forma generalista, parecido. As independências foram conquistadas, as repúblicas foram instauradas e presididas por generais proeminentes nas guerras e as diferenças sociais quase não foram alteradas

Congresso do Panamá (1826): Quando quase toda a América Latina já estava independente, Bolívar tentou concretizar seu ideal de unidade política, defendendo alianças entre os Estados hispano-americanos, a criação de uma força militar comum e a abolição da escravidão, entre outras medidas. Seus esforços de solidariedade continental, no entanto, encontraram a oposição dos ingleses e norte-americanos, contrários a países unidos e fortes, e dos interesses das próprias oligarquias locais e seus dirigentes, como a brasileira, recém-instalada, comprometida com a monarquia escravista de D. Pedro I.

Contexto Pós-Independências: No aspecto político, chefes locais, em geral líderes oriundos das forças militares mobilizadas pelos criollos nas guerras de independência, passaram a disputar o poder de suas respectivas regiões. Tais chefes – comandantes carismáticos, autoritários, personalistas, que irradiava, magnetismo pessoal na condução de seus comandados – foram denominados caudilhos.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

  1. 10 autores espanhóis que você deve conhecer.

Filmes:

  1. HURTADO, Frederico García. Túpac Amaru: O Canto da Liberdade, 1984. (Disponível Online AQUI)

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