História da Arte

Arte Renascentista – Introdução

A Idade Moderna inicia no Renascimento, período de grande esplendor cultural na Europa. A religião deu lugar a uma concepção científica do homem e do universo, no sistema do humanismo. As novas descobertas geográficas levaram a civilização europeia a se expandir para todos os continentes, e através da invenção da imprensa a cultura se universalizou.

Características Gerais

Inspirações: Sua arte foi inspirada basicamente na arte clássica greco-romana e na observação científica da natureza, tendo o homem nesse panorama um lugar privilegiado.

Precisionismo: Mas mais do que uma imitação, a natureza devia, a fim de ser bem representada, passar por uma tradução que a organizava sob uma óptica racional e matemática, num período marcado por uma matematização de todos os fenômenos naturais.

Expressões Artísticas e suas Conquistas: Na pintura a maior conquista da busca por esse “naturalismo organizado” foi a recuperação da perspectiva, representando a paisagem, as arquiteturas e o ser humano através de relações essencialmente geométricas e criando uma eficiente impressão de espaço tridimensional; na música foi a consolidação do sistema tonal, possibilitando uma ilustração mais convincente das emoções e do movimento; na arquitetura foi a redução das construções para uma dimensão mais humana, abandonando-se as alturas transcendentais das catedrais góticas; na literatura, a introdução de um personagem que estruturava em torno de si a narrativa e mimetizava até onde possível a noção de sujeito.

Pintura

Características Gerais e Glória ao Pintor: A pintura renascentista é em essência linear; o desenho era agora considerado o alicerce de todas as artes visuais e seu domínio, um pré-requisito para todo artista. Para tanto, foi de grande utilidade o estudo das esculturas e relevos da Antiguidade, que deram a base para o desenvolvimento de um grande repertório de temas e de gestos e posturas do corpo. Na construção da pintura, a linha convencionalmente constituía o elemento demonstrativo e lógico, e a cor indicava os estados afetivos ou qualidades específicas.

Originalidades: A originalidade foi sua nova maneira de representar a natureza através de domínio tal sobre a técnica pictórica e a perspectiva de ponto central, que foi capaz de criar uma eficiente ilusão de espaço tridimensional em uma superfície plana. Também deve-se lembrar a influência renovadora sobre os pintores italianos da técnica da pintura a óleo, que no Quattrocento estava sendo desenvolvida nos Países Baixos e atingira elevado nível de refinamento, possibilitando a criação de imagens muito mais precisas e nítidas e com um sombreado muito mais sutil do que o que era conseguido com o afresco, a encáustica e a têmpera.

Distanciamento do Medieval: Tal conquista significou um afastamento radical em relação ao sistema medieval de representação, com sua estaticidade, seu espaço sem profundidade e seu sistema de proporções simbólico – onde os personagens maiores tinham maior importância numa escala que ia do homem até Deus – estabelecendo um novo parâmetro cujo fundamento era matemático, no que se pode ver um reflexo da popularização dos princípios filosóficos da modernidade. Outro diferencial em relação à arte da Idade Média foi a introdução de maior dinamismo nas cenas e gestos, e a descoberta do sombreado, ou claro-escuro, como recurso plástico e mimético.

“Classicismo”: Voltam às artes as principais características do estilo artístico greco-romano, como também o cultivo do Belo, um valor tipicamente clássico.

A Evolução da Pintura Renascentista

  • O Trecento (Século XIV) em Siena: Giotto, atuando entre os séculos XIII e XIV, foi o maior pintor da primeira Renascença italiana e o pioneiro dos naturalistas em pintura. Seu vanguardismo começa em Siena e logo se espalhará por toda a “Itália”.

 

– Vanguarda para o Norte: Passando por Florença e em direção ao norte da Itália, ao longo de quase todo o século  a arte revelaria o embate entre o que sobrava do gótico (tendo como principais expoentes Fra Angelico, Paolo Uccello, Benozzo Gozzoli e Lorenzo Monaco) e as novas forças organizadoras, naturalistas e racionais do classicismo eminentemente renascentista (tendo como principais expoentes Sandro Botticelli, Antonio Pollaiuolo, Piero della Francesca e Domenico Ghirlandaio).

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  • O Quattrocento (Século XV): Veneza se junta à Florença como pólo de vanguarda artística europeia no Quattrocento, desbancando Siena, que apesar de ter feito parte da vanguarda, se via rompida entre o gótico e o renascentista.

– Principais Expoentes: Jacopo Bellini, Giovanni Bellini, Vittore Carpaccio, Mauro Codussi e Antonello da Messina.

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  • A Alta Renascença (1480 – 1527): Embora de curta duração, cristaliza completamente todos os valores renascentistas desenvolvidos até então. É marcado pela maturidade das obras de Leonardo Da Vinci (1480) e o Saque de Roma (1527). Leonardo Da Vinci aliou fortemente a arte à ciência, além utilizar de forma mais refinada a pintura à óleo. O apogeu do sistema classicista será com Rafael Sanzio e se revelou a doçura, a grandeza solene e a perfeita harmonia. Mas essa fase, de grande equilíbrio formal, não durou muito, logo seria transformada profundamente, dando lugar ao Maneirismo.

Escultura

Características Gerais: Na escultura os sinais de uma revalorização de uma estética classicista são mais antigos do que na pintura, datando do século XIII.

O Trecento: Na passagem do século XIII para o século XIV o estilo gótico ainda se debate com o classicismo, até que surge em Florença a figura de Lorenzo Ghiberti, o primeiro a recuperar o classicismo por completo.

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Lorenzo Ghiberti – Porta do Paraíso do Batistério de São João. Museo dell’Opera del Duomo, Florença, 1403-25.

O Quattrocento: Será bruscamente diferente do Trecento. Donato di Niccoló di Betto Bardi (conhecido como Donatello) será um grande inovador e ousado. Modelou o primeiro nu completo de grandes dimensões desde a antiguidade, o seu David de 1430. Ainda, reintroduz um fortíssimo senso de drama e realidade na estatuária, só vista antes no helenismo. Como exemplo, sua Madalena Penitente, em madeira, de 1453.

A Alta Renascença: Florença continuou o centro da evolução até o aparecimento de Michelangelo, que trabalhou em Roma para os papas – e também em Florença para os Medici, uma das dinastias mais ricas da Itália – e foi o maior nome da escultura desde a Alta Renascença até meados do Cinquecento. Sua obra passou do classicismo puro até o maneirismo, expresso em obras veementes como: Pietá, Davi, e Moisés.

Arquitetura

Romanidade Influente: A permanência de muitos vestígios da Roma antiga em solo italiano jamais deixou de influir na arquitetura italiana. Seja na utilização dos mesmos elementos estruturais, dos mesmos materiais de construção, ou simplesmente mantendo viva a memória das formas clássicas.

O Trecento: Mesmo assim, gótico continua a linha dominante até o Quattrocento.

– O Tesouro Perdido: O interesse no classicismo foi estimulado pela redescoberta de livros clássicos que tinham sido dados como perdidos, por toda a Itália, a partir das pesquisas e estudos renascentistas. O principal deles para a arquitetura é o livro encontrado na biblioteca da Abadia do Monte Cassino em 1414, o De Architectura de Vitrúvio, que era um livro sobre técnica de arquitetura.

O Quattrocento: As ideias vitruvianas serão desenvolvidas por muitos arquitetos dando força ao classicismo arquitetônico. O primeiro grande expoente do classicismo arquitetônico foi Filippo Brunelleschi, sendo o primeiro a usar modernamente as ordens arquitetônicas de maneira coerente, instaurando um novo sistema de proporções baseado na escala humana e no uso da perspectiva.

  1. – Principais Expoentes: Leon Battista Alberti, Luca Pacioli, o próprio Leonardo Da Vinci e Francesco di Giorgio.
  2. – “Arquitetura Ostentação”: A arquitetura classicista também pode ser identifica em diversas construções encomendadas por famílias itálicas indescritivelmente ricas que serviam para ‘ostentar’ o status de rico, como os Medici, os Strozzi, os Pazzi. Todos  os palácios construídos por estas famílias transformaram o mesmo modelo dos palácios medievais italianos para o classicismo.

A Alta Renascença: Aqui, o centro do interesse arquitetônico desloca-se de Florença para Roma. Inicialmente levado por Donato Bramante, agora atinge o ápice com Michelangelo, tido como o inventor da ordem colossal e por algum tempo arquiteto das obras da Basílica de São Pedro, a Capela Sistina, onde hoje é o atual Vaticano. Esta capela guarda uma das mais icônicas obras de arte de toda a nossa história: A Criação de Adão, de Michelangelo.

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Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni – A Criação de Adão. Capela Sistina, Vaticano, 1511.

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Uma releitura, porque não?

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Invejosos dirão que é montagem.
  1. – Originalidade: Michelangelo, na visão dos seus próprios contemporâneos, foi o primeiro a desafiar as regras até então consagradas da arquitetura classicista, desenvolvendo um estilo pessoal. Ele representa, então, o fim do “classicismo coletivo”, bastante homogêneo em suas soluções, e o início de uma fase de individualização e multiplicação das linguagens arquitetônicas.
  2. – Evolução e Destaque da Arquitetura: Ele abriu caminho, pelo imenso prestígio que desfrutava entre os seus, para que a nova geração de criadores realizasse um sem-número de experimentações a partir do cânone clássico de arquitetura, tornando esta arte independente dos antigos – ainda que largamente devedora deles.
  3. – O Grupo que Rompeu Paradigmas: Os nomes mais notáveis da época (Della Porta, Sansovino, Palladio – que é o mais estudado arquiteto até hoje – , Fontana, Peruzzi e Vignola) promoveram as principais transformações na arquitetura durante a Alta Renascença que permitiram esta arte não só utilizar amplamente o classicismo, mas transcendê-lo, ir além dele, transformando a arquitetura numa arte independente e distinta das outras.

Teatro

Evolução: Durante a idade média, na Europa, o teatro tinha um papel muito importante para a igreja católica. A produção e a apresentação de peças religiosas atingiram seu auge no século 14. Mas a situação se transformou no século 15, com a decadência do teatro ligado à religião, devido ao impacto do renascimento. O homem, e não Deus, passa a protagonizar a cena.

Comédia: Não foi por acaso que a figura do bobo da corte se tornou popular durante o renascimento, embora o personagem tivesse nascido na antiguidade. Depois de ter passado sem destaque durante a idade média, o bobo ganhou espaço no teatro renascentista, articulando as dúvidas e incertezas de um momento de grande transformação ideológica.

Commedia dell’Arte: Surgiu na Itália, ainda durante a idade média. Eram espetáculos teatrais populares, apresentados nas ruas, sem texto fixo. Caracterizavam-se também pela utilização de máscaras e pela presença de personagens como Arlequim, Pierrot, Colombina, Polichinelo, Pantaleão, Briguela, personagens ainda presentes no carnaval de rua brasileiro. O sucesso dessa comédia popular instigou a curiosidade dos príncipes e intelectuais. Das ruas, a comédia passou aos palácios, onde se aperfeiçoou e enriqueceu.

Base Fundamental: As peças tinham três atos, precedidos de um prólogo, e muita rixa, acessos de loucura, duelos, aparições, pancadaria, disfarces, raptos, enganos e desenganos. A estrutura fundamental sobreviveu e chegou até as comédias dos dias de hoje sendo a base da maioria das estórias que vemos.

A Trupe de Molière: Produzindo numa época em que a tragédia era mais respeitada, por ser considerada “a única forma digna de homens sérios”, Molière procurou elevar a comédia à mesma categoria. Suas principais peças foram “As Preciosas Ridículas”, “Escola de Maridos”, “Escola de Mulheres”, “A Crítica da Escola de Mulheres”, “Tartufo”, “Don Juan”, “O Misantropo”, “Georges Dandin”, “O Avarento” e “O Doente Imaginário”.

Comédie-Française: Foi fundada por Luís 14, em 1680, para juntar duas companhias parisienses, a do Hôtel de Bourgogne e a do Teatro Guénégaud – no caso desta, surgida após a morte de Molière, com atores de sua companhia, existente até hoje.

William Shakespeare

Era um momento de rápida transformação em todos os setores da sociedade, o comércio marítimo influenciava a moda, o transporte (com o uso das carruagens), a arquitetura, os costumes, como, por exemplo, o uso de garfos (trazidos da Itália) e o tabaco (trazido da Índia e da América). Esse foi o momento no qual o teatro elisabetano cresceu e autores como Shakespeare escreveram peças que rompiam com o estilo com o que a Inglaterra estava acostumada. A reforma protestante e o humanismo introduziram novos elementos nas representações. Elizabeth 1 deu proteção ao teatro da época, pois seu gosto pelos espetáculos populares conseguiu contrabalançar as tendências puritanas do reino. Bailados, mágicas, representações cênicas de todo tipo eram apresentadas por onde quer que a rainha fosse.

O Teatro Globe: Fundado em 1599, às margens do rio Tâmisa. Idealizado e construído por Shakespeare e sua companhia, The King’s Men.  A disposição do palco era ideal para a ação dramática e para uma peça que se desenrolava sem interrupções, rápida e com grande número de figurantes. O Teatro Globe não era coberto. As apresentações só ocorriam durante o verão. Também eram suspensas quando havia algum surto de peste, o que era freqüente, de modo que, para ganhar a vida, a companhia fazia turnês pelo interior.

O Papel da Mulher: Havia pouco ou quase nenhum cenário, os papéis femininos eram representados por rapazes, pois na época as mulheres ainda não podiam representar. As mulheres raramente apareciam na platéia, com exceção de prostitutas. As demais, quando iam ao teatro, usavam máscaras.

William Shakespeare: Shakespeare é considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos. Em 1594 ingressou na Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, mesmo ano em que escreveu sua primeira peça, a Comédia dos Erros. Desde então, escreveu mais de 38 peças.

Inovação: Ainda que inspiradas pelos valores do teatro clássico, as tragédias shakespearianas têm uma diferença marcante que é a morte e/ou o sofrimento do herói em cena, aos olhos do público. Nas tragédias gregas isso jamais ocorria. Com as tragédias no Renascimento, especialmente em Shakespeare, a cena trágica, violenta, o sofrimento do herói é no palco, aos olhos de todos.

Principais Obras: “Romeu e Julieta”, “Hamlet”, “Macbeth”, “Rei Lear”, “Otelo”, “Ricardo II”, “Ricardo III”, “Henrique IV”, “Henrique V”, “Henrique VI” e “Henrique VIII”.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

  1. Roberto Ferri: Um novo Caravaggio?
  2. Palácios do Renascimento.
  3. Leonardo da Vinci: Projetos e Obras.
  4. Música Renascentista.
  5. Teatro Renascentista: Os Italianos e os Franceses.
  6. Teatro Renascentista: A Inglaterra de Shakespeare.
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