História da América

Expansão Marítima e Colonização Espanhola

A colonização espanhola na América começou com a chegada de Cristóvão Colombo às Antilhas em 1492. Colombo procurava um novo caminho para as Índias e convenceu-se de que o encontraria. Ele foi feito governador dos novos territórios e fez várias outras viagens através do Oceano Atlântico. Enriqueceu com o trabalho de escravos nativos, que os obrigou a minerar ouro, e também tentou vender escravos na Espanha. Apesar de ser geralmente visto como um excelente navegador, era fraco como administrador e foi destituído do governo em 1500.

Colonização e seus Principais Conceitos

Colônia: Do latim, colonia, se refere ao estabelecimento de comunidades de romanos com objetivo agrícola, fora do território de Roma. (Um lugar para a agricultura)

Colonialismo: Política de exercer compulsoriamente controle/autoridade sobre um território ocupado e administrado por grupos de indivíduos com poder militar ou representantes do governo de um país, expropriando os bens e autonomia política dos nativos.

Colonialismo x Neocolonialismo: O primeiro termo designa o colonialismo moderno da época contemporânea à expansão marítima europeia nos séculos XV-XVIII e o segundo refere-se à colonização europeia na África e ao Imperialismo no século XIX.

Colonização Viking: Os Vikings colonizaram parte do atlântico norte a partir da Groelândia e do litoral canadense a partir do século X. Não tiveram efeito devastador como os ibéricos.

Metrópole: “Cidade-mãe”.

Revolução Comercial: Revolução no interior da economia de mercado europeia moderna, com reformas na contabilidade, o crescimento dos bancos e banqueiros, desenvolvimento do crédito e surgimento da imprensa.

“Capitalismo Comercial”: Termo equivocado. Embora a economia de mercado seja um pilar fundamental para o capitalismo, a ideia de capitalismo surge apenas no século XIX em Karl Marx.

“Pacto Colonial”: Conceito que estabelecia o fornecimento de matérias-primas à baixos preços para a Metrópole e a compra de produtos manufaturados à preços elevados. O conceito de pacto é ilusório, pois implica numa aceitação de ambas as partes, quando o que ocorreu na verdade foi uma imposição incontestável da Metrópole.

Contexto Histórico Favorável ao Expansionismo

Crise do Século XIV: Guerra dos Cem Anos França-Inglaterra, marca século XIV. Peste negra devastou 1/3 da população europeia e teve impacto na retração da atividade comercial. Peste Negra declina a partir de 1350, mas a consequência da fome continua até o fim do século.

Riquezas Indo para o Oriente: Desvio de metais preciosos para o oriente no comércio e o esgotamento de minas de prata e ouro na Europa limitaram a oferta de moeda, estrangulando o comércio.

Lucro Restrito: Monopólio lucrativo das rotas mediterrâneas de especiarias das cidades italianas, especialmente Veneza e Gênova, restringia possibilidades de lucro. Navegação atlântica aparece como alternativa.

Unificações: As unificações nacionais francesa e inglesa demoraram por conta da guerra, os espanhóis ainda lidavam com os muçulmanos, só os portugueses que enfrentavam relativa tranquilidade se unificaram com mais rapidez e se impulsionaram primeiro à expansão marítima.

Circunavegação Espanholas: Devido à ocupação das rotas marítimas na costa africana pelos portugueses, os espanhóis procuraram uma alternativa tentando circular o mundo até as índias pelo atlântico, onde chegaram no continente americano. Cristóvão Colombo, o navegador genovês acreditou tratar-se das índias, mas o lugar só é tido como novo continente a partir de Américo Vespúcio, de quem herdou o nome.

Chancela Cristã: No final do século XV, o Papa Alexandre VI firma o acordo entre as nações portuguesa e espanhola conhecido como Tratado de Tordesilhas, que afirmava uma distância de 370 léguas à oeste de Cabo Verde para os portugueses, e além para os espanhóis.

Expansão da Fé: Justificativa do colonialismo espanhol se deu também pela conversão dos indígenas à fé cristã para combater a expansão do islamismo.

Colonização 1750

Economia e Exploração Colonial

Extração:  A mineração era a atividade central na América espanhola. A exploração do ouro aconteceu em Nova Granada (atual Colômbia), enquanto as minas de prata foram descobertas no norte do México e na região de Potosí, atual Bolívia. Na América Central, áreas agrícolas de monocultura voltadas ao comércio externo consumiam o trabalho africano.

Urbanização:  Por extraírem o meio de troca – o metal –, os núcleos populacionais formados ao redor das regiões mineradoras eram polos de atração de comércio e serviços, o que desencadeou um acelerado processo de urbanização. Ao lado de comerciantes e artesãos, profissionais liberais (advogados, médicos, arquitetos e professores europeus) vinham para a América em busca de riqueza.

Mão-de-obra Indígena:  Ao contrário dos portugueses no Brasil, que fizeram do negro africano a mão de obra hegemônica, os espanhóis priorizariam durante todo o período colonial o trabalho compulsório indígena (por meio de sistemas de requisição que nunca fizeram do índio um escravo, ou seja, ao contrário do africano, ele nunca foi visto como uma mercadoria). Isso se explica por alguns motivos, dentre os quais um aspecto demográfico: as sociedades indígenas encontradas pelos espanhóis eram densamente povoadas, com milhões de habitantes concentrados em áreas específicas, o que proporcionava reservatórios de mão de obra em larga escala.

a) Mita: Era uma forma de trabalho compulsório herdada dos astecas pelos espanhóis à época colonial. Consistia basicamente na superexploração da mão de obra indígena. Cerca de 5% dos indígenas de cada distrito eram deslocados de suas respectivas comunidades, geralmente por um prazo de 4 a 6 meses (podendo chegar a 12 meses), e enviados a regiões de extração de minérios, em especial a prata e o mercúrio, ou de agricultura sazonal.

b) Encomienda: Consistia  na expoloração indígena sob o compromisso de oferecer a catequização dos indígenas, os encomenderos poderiam cobrar tributos desses mesmos índios na forma de trabalho. O trabalho de toda uma tribo poderia ser encomendado; a instituição era vitalícia e hereditária.

– Crise Encomendera:  O sistema provocou a dizimação de tribos inteiras, não só pelo trabalho intenso nas terras dos colonos, como também pela falta de mão de obra disponível para o sustento da própria tribo, gerando a fome. Por isso, a encomienda atraiu a crítica veemente de religiosos e de autoridades da Coroa, que viam o extermínio indígena como efeito do abuso dos colonos. O Estado espanhol resolveu intervir de maneira direta. Em 1542, são instituídas as Leis Novas, que proibiam novas encomiendas e instituíam o repartimiento.

c) Repartimientos: Trata-se da legalização formal da Mita pela Coroa, entretanto, com particularidades próprias que não estavam presentes na Mita regular. A ampla utilização do repartimiento, uma espécie derivada da mita Inca, corrói e dissolve a estrutura comunitária indígena.

d) Haciendas: Montagem de um esquema de plantation, ou seja, monocultura agrícola latifundiária concentrada em produtos como milho e açúcar. Utilização de mão-de-obra escrava indígena na maior parte das Haciendas, mas mão-de-obra escrava negra principalmente em Cuba. Eram semelhantes aos engenhos coloniais portugueses, atendiam demanda por produtos agrícolas alimentando o comércio interno e externo. Diferentemente dos engenhos portugueses, o forte das haciendas era o comércio intercolonial, entre as próprias colônias hispânicas, ao invés da metrópole.

e) Estâncias: Cultivo pecuário que tinha de atender as mesmas demandas das haciendas.

Estrutura Política da América Espanhola

Administração Colonial: Necessidade de administração e dominação controlada da vasta região conquistada. A partir do século XVI a coroa substitui os Adelantados (conquistadores espanhóis que se apropriavam de terras) por uma máquina burocrática que por vezes ia à falência devido à distância da metrópole e à cobiça dos funcionários.

Divisão em quatro Vice-Reinados e Capitanias Gerais: Visando facilitar o gerenciamento do território colonial espanhol, a Coroa dividiu a colônia em distritos que eram comandados por meio do Conselho Real Supremo das Índias, representados na colônia pelos Chapetones.

Capitanias Gerais: Regiões estratégicas com governos próprios, mas ligadas aos vice-reinos.

Vice-Reinados Espanhóis

Real Supremo Conselho das Índias: Administração das colônias, cabendo-lhe nomear os funcionários coloniais, exercer tutela sobre os indígenas e fazer leis para a América.

Casa de Contratação: Regulava a atividade comercial e a arrecadação de impostos. Para controlar melhor o comércio colonial, instituíram o regime de “porto único”, definindo apenas um porto, o de Sevilha, para o comércio colonial. Era possível controlar todos os afluxos coloniais.

Cabildos: Eram Câmaras Municipais com funções jurídicas e legislativas restritas ao âmbito local. Ggovernadas pela elite criolla, e não eram raros os choques entre eles e os chapetones.

Estrutura Social da América Espanhola

Hierarquização: A sociedade hispano-americana era marcada por rígida hierarquização. Os elementos brancos, componentes da elite, diferenciavam-se por ser ou não nascidos na América. É por isso que os europeus (chapetones) eram os únicos que tinham acesso aos mais altos cargos da administração.

  1. Chapetones: Espanhóis provenientes da metrópole, que cuidavam da administração, justiça, clero e exército, ocupando altos postos nestes setores.
  2. Criollos: Aristocracia colonial formada por homens brancos, descendentes de espanhóis, mas nascidos na América. Eram grandes proprietários de terra, ou dedicavam-se ao comércio. Atuavam politicamente de forma local, controlando as câmaras municipais (cabildos/ayuntamentos)
  3. Mestiços: Miscigenação entre espanhóis e indígenas, eram trabalhadores livres. Assumiam funções intermediárias ligadas ao comércio e ao artesanato.
  4. Índios: Grande maioria da população, sujeitos à encomenda e à Mita.
  5. Escravos Negros: Em sua maioria, concentrados na região das Antilhas para produção de cana-de-açúcar.

Consequências da Colonização Espanhola

As Causas do Genocídio Indígena:  A historiografia tende a elencar uma série de hipóteses: o domínio das armas de fogo e do cavalo pelos espanhóis; epidemias que aniquilaram os indígenas; o ideal missionário dos jesuítas, contribuindo para esmorecer a resistência cultural indígena; o estímulo às guerras intertribais, fragmentando a autoridade do governo central. Recentemente historiadores tendem a valorizar um traço da cultura indígena tradicionalmente denominado como fatalismo, ou seja, a ideia de que o destino é inexorável e, portanto, cumpre aceitá-lo. Tal traço  seria percebido e explorado pelos conquistadores. A destruição dos referenciais simbólicos do índio provocou o esfacelamento de seu sistema de crenças, que passou a ser substituído pelo catolicismo. Muitos daqueles homens e mulheres optaram pelo suicídio como forma de resistir.

Conflito Público vs. Privado: Uma vez subordinados os povos indígenas, a Coroa espanhola tratou de consolidar seu domínio sobre as novas terras, transferindo para a América instituições que simbolizavam a presença do Estado. A ordenação jurídica (criação de leis) e política (autoridades legítimas em nome do Estado, divisões administrativas) iam de encontro às expectativas dos primeiros conquistadores, munidos de interesses bem pessoais. Assim, o confronto entre o público – representado pelo Estado – e o privado – os interesses particulares – seria presença constante na montagem institucional das colônias espanholas na América.

A Dinâmica do Choque:  Dessa forma a transformação das formas de requisição da mão de obra tornaram-se indícios da tumultuada relação entre a administração espanhola e os colonos. Nesse caso, os anseios privados, representados pelos encomenderos, eram indiferentes à dizimação das populações indígenas. A ação do Estado em evitar a extinção completa dessas comunidades – por motivos econômicos e pressões religiosas – se chocava com os interesses particulares. Tal dinâmica do choque estaria presente em todo o período colonial hispano-americano e seria exacerbada no século XIX, instaurando a fase das independências.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

Vídeos:

  • Breve Resumo:
  • Resumo ENEM:
  • História Cantada:
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