História da América

A Civilização Inca

O império Inca foi resultado da assimilação e conquista de uma sucessão de civilizações andinas e que se tornou o maior império, em extensão territorial, da América pré-colombiana. Seu surgimento é impreciso, localizado e datado nas terras altas peruanas em algum momento do século XIII. De 1438 até 1533, pela conquista militar ou assimilação pacífica a unidade Inca se expandiu, centrado na Cordilheira dos Andes.

Organização Política

Capital: A administração política e o centro de forças armadas do império ficavam localizados em Cusco, no atual Peru.

Sistema “Federalista”: Concentrava o centro do governo para os Incas em Cusco e dividia o poder entre outros quatro governantes de províncias (os Suyus), dispersos geograficamente em Norte, Sul, Leste e Oeste.

Expansão por Assimilação: O Sapa Inca enviava mensageiros para os dirigentes de terras de seu interesse, buscando convencê-los a se unirem pela vantagem da união. Essas vantagens incluíam presentes de luxo, promessas de riqueza material e incorporação à nobreza local. Seus herdeiros eram educados na capital e se casavam com filhas de nobres da capital, para fortalecer as relações entre as cidades. Os incas encorajavam as pessoas a se juntarem ao império e quando isto ocorria eram sempre bem tratadas.

Expansão Militar: Caso não desse certo a assimilação pacífica, havia tentativa de conquistar militarmente a cidade. Ao conquistá-la, o povo era submetido à tributação, que consistia na prestação de serviços obrigatórios designados pelos conquistadores.

O império se expandiu também para a Argentina e Colômbia. Contudo, grande parte do Sul do império era uma grande extensão de território despovoado.

Organização Social

Figura Máxima: Sapa Inca, o monarca. Era divinizado reivindicando seu poder como o descendente dos deuses. Abaixo do Inca havia quatro principais classes de cidadãos.

Família Real, Nobres, Líderes Militares e Religiosos: Controlavam o Império Inca, muitos viviam em Cusco. Os nobres eram educados em escolas especiais durante quatro anos. Eles estudavam a língua quíchua, religião, quipos, história, geometria, geografia e astronomia. Tinham vários privilégios, entre eles a posse de terras e a poligamia, recebendo presentes do Sapa Inca, tais como mulheres, lhamas, objetos preciosos e permissão para usar liteiras ou trono.

Suyus: Os quatro governantes das províncias organizavam as tropas, coletavam os tributos, executavam as leis e estabeleciam a ordem. Abaixo deles estavam os governadores das províncias que residiam em suas capitais, e eram periodicamente inspecionadas.

Oficiais Militares Locais: Responsáveis pelos julgamentos menos importantes e a resolução de pequenas disputas podendo inclusive atribuir castigos.

Camponeses & Escravos: Maioria da população. Eram organizados em aldeias compostas por diversas famílias cujos membros consideravam possuir um antepassado comum (real ou fictício). O chefe da aldeia distribuía as terras entre membros da comunidade aptos para o trabalho.

Organização Econômica

Organização tributária: Todas as cidades pagavam tributo à capital.

Três Trabalhos Agrícolas: Realizados em benefício do Inca e da família real, susbstência familar em sua própria terra, trabalho comunitário para os desfavorecidos (crianças, idosos e inválidos) ou manutenção dos canais de irrigação das terras. Para além do trabalho coletivo, havia reservas para suprir carências em tempos de fome ou de festa ao Inca. Todas as atividades dos habitantes eram supervisionadas pelos funcionários do império.

Mita: Trabalho compulsório baseado na superexploração da mão-de-obra escrava. Uma parcela de escravos de cada distrito era deslocado até o local de trabalho por um período de 4 à 12 meses para trabalhar intensivamente na agricultura sazonal ou mineração.

Economia de Troca: Faziam trocas ou escambos entre mercadorias sem valor estipulado. O trabalho era remunerado com mercadorias e comida. Sementes de cacau e conchas coloridas muitas vezes serviam como moeda, pois tinham grande valor.

Apogeu: Por volta de 1400 a agricultura organizada espalhou-se por todo o império com o cultivo de grãos comestíveis. A chave do sucesso da agricultura inca era a existência de estradas e trilhas que possibilitavam uma boa distribuição das colheitas numa vasta região. As principais culturas vegetais eram as batatas, batatas doce, milho, pimentas, algodão, tomates, amendoim, mandioca, e um grão conhecido como quinua.

Formação Cultural

Um primeiro momento de desenvolvimento da cultura inca ocorreu após a migração para o vale de Cusco, e a fundação da primeira cidade pelo então Sapa Inca (Monarca). Essa cidade-Estado, que cresceu conforme a expansão das guerras pelo vale, atingiu seu ápice em 1438.

Traços Culturais: Resquícios culturais remontam legados culturais até aproximadamente 1800 a.C. Mas é somente cerca de 800 a.C. que surge embrião do Estado teocrático andino. A civilização inca alcançou o seu apogeu no século XV, sob Pachacuti.

Diversidade Cultural: Entre as suas realizações culturais estão a arquitetura, a construção de estradas, pontes e engenhosos sistemas de irrigação. Entretanto, não desenvolveram sistema de escrita. Ao invés disso, utilizavam os quipus, cordões de lã entrelaçados de diferentes maneiras e diferentes cores para codificar mensagens.

Fragilidade da União: Centenas de línguas, culturas e povos dificultavam a unidade do império, pois não eram em sua totalidade, leais, assim como as culturas locais não foram totalmente assimiladas. Essa dominação, somada a obrigação do pagamento de tributos, acabavam por gerar um império com grandes chances de ruir internamente.

Primeiros Relatos: Crônicas de vários autores europeus. Compilaram relatos locais com enorme dificuldade da tradução linguística e modo de pensar Inca, o que dificulta a reconstrução histórica. Também utilizaram-nos para legitimar discursivamente a conquista, pois referiam-se aos Incas como animais violentos, portanto, sem direito sobre as terras conquistadas. Ainda, buscavam legitimar a evangelização demonizando a religião e tradição Inca. Em contraposição, cronistas mestiços posteriores enalteciam as qualidades do Império.

História: Tinham uma forte concepção história, através da oralidade. Canções narravam suas próprias histórias, executadas para o Sapa Inca. Também registravam seus acontecimentos em tábuas e mantas de pano. Registravam também sua própria história pelos quipus.

Religiosidade: Os deuses máximos era o o Sol e a Lua, para benção nas colheitas e nas batalhas. Acreditavam que o Sapa Inca descendia do deus Sol. Eram politeístas e maniqueístas (Bem vs. Mal). O Bem era tudo que fosse importante para sobreviver, como a chuva e a luz solar, e o Mal como as calamidades incontroláveis, como a seca e a guerra. Fundiam religiosidade à natureza, acreditando em entidades divinas que viviam em objetos naturais como montanhas, rochas e riachos.

Sacrifícios: Sacrificavam-se animais e humanos. Não era raro as mulheres à serviço dos templos serem sacrificadas, mas a maioria dos sacrifícios eram impostos a grupos recentemente conquistados ou derrotados em guerra, como tributo à dominação. Acreditavam na reencarnação e na mumificação.

Calendrário: Os incas tinham um calendário de trinta dias, no qual cada mês tinha o seu próprio festival.

Desenvolvimento Medicinal: Os incas fizeram muitas descobertas farmacológicas, desenvolveram técnicas cirúrgicas especializadas, como a trepanação (uma cirurgia intra-craniana para aliviar a pressão dos ferimentos).

Declínio

Conquista Espanhola: Os conquistadores espanhóis liderados por Francisco Pizarro e seus irmãos exploraram o sul do Panamá, alcançando as terras incas em 1526. Após mais uma expedição (1529), Pizarro foi a Espanha e recebeu aprovação real para conquistar a região e a transformá-la em vice-reinado.

Crise Interna: Ao voltar em 1532, Pizarro se deparou com uma intensa crise interna no Império Inca. Os dois filhos do Sapa Inca morto disputavam poder, o que causou agitação e revoltas internas, principalmente nos territórios recém-conquistados. Além disso, uma epidemia generalizada de varíola que espalhou pela América Central enfraqueceu bastante o Império.

Imprevisibilidade Numérica: Mesmo em crise, a extensão territorial e número de habitantes nativos era muito superior aos colonizadores. Pizarro não tinha uma grande força ao seu favor: apenas 168 homens, 1 canhão e 27 cavalos. Pizarro evitou muitos controntos que o aniquilariam, com excelente capacidade tática e tecnologia bélica mais desenvolvida que os nativos. Como seu número era muito reduzido, tiveram que fazer inúmeros aliados entre os nativos que queriam ver o fim do domínio Inca sobre seus territórios a fim de derrotar e conquistar o Império Inca, que efetivamente acontece.


CONTEÚDO COMPLEMENTAR

Filmes:

  • DINDAL, Mark. A Nova Onda do Imperador, 2000. (Disponível Online Aqui)
  • HOPPER, Jerry. O Segredo dos Incas, 1954.

Vídeos:

  • Vídeo > Jóias da Natureza – Ouro. A Conquista dos Incas

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